Monday, February 17, 2014

[read all about it] because someone we love is in heaven, there's a little bit of heaven in our home

Perdi o meu pai. Já foi à algum tempo. Mais precisamente à 3 anos e meio. Doeu muito. Doeu tanto e ainda dói. Acredito que irá sempre doer. O tempo não cura nada, não torna nada mais fácil. Acho que nós é que aprendemos a viver com a dor.
Uma amiga muito querida do meu coração perdeu o pai recentemente. Embora não a conheça à muitos anos, conheço-a ao tempo suficiente para partilhar a dor dela, porque a entendo! Porque sei o que é e o que sentimos. As palavras de carinho e conforto não significam nada e aquilo que queríamos era que todos se calassem e que o tempo andasse para trás. Queremos que seja um pesadelo. Queremos acordar e que tudo volte ao tempo em que estava tudo bem, ao tempo em que eles não estavam doentes, em que riam connosco. 

Não consigo dizer-lhe nada que a console. Apenas que estou aqui quando lhe apetecer falar. Lembrei-me deste texto que tinha escrito no inicio do ano, deste ano. Minha querida, o teu pai não morreu. Ele mudou-se para um lugar melhor e mais bonito, onde vai poder olhar para ti, para as tuas irmãs e para a tua filha. Vai olhar todos os dias e vai sorrir. Pelo menos é nisso que eu quero acreditar. 

"Mais um ano que passou. Nem acredito que partiste à tanto tempo, pai. Ainda te sinto aqui. Ainda estás aqui. Não me lamento da tua perda quando estou com os outros, mas só eu sei como a revolta ainda me toca tantas vezes. Não percebo porque tive de ficar sem ti.
(...) 
Discutíamos tantas vezes. Hoje percebo que era por acreditares mais em mim do que eu própria. Hoje tenho outra força que te deixaria orgulhoso. Tenho também ideias que te fariam arrancar os cabelos que ainda te restavam. Eras a melhor pessoa que alguma vez conheci. Um coração do tamanho do mundo, que vivia com medo. Não era medo de morrer. Era medo de não nos conseguires dar tudo.
A mim deste-me tudo, pai. Não te poderia nunca pedir mais porque sei que tiravas de ti para nos dar. Vivias cheio de preocupações e não aproveitaste os teus últimos momentos. Tenho pena que tenha sido assim. A vida é tão injusta. Ainda tinhas tanto para fazer e para dar ao Mundo. 
Mas estarás sempre vivo em nós. E eu farei grandes coisas, e tu serás a minha estrelinha. Amo-te e amar-te-ei sempre. Tu não morreste. Mudaste-te só para um lugar melhor, mais bonito, onde poderás sorrir ao ver-nos todos os dias."


Imagem editada por mim

Já sabem, o texto em azul claro é parte de algo que anda à muito para ser terminado. Textos soltos que se encontram num todo.

Aquele beijo,
*muah*
Ana