Thursday, February 20, 2014

[cartas ao meu filho] sei-te de cor

Podia ser um post sobre música, mas não é. É um post que vem cá de dentro, cheio de amor e emoção, com lágrimas e sorrisos à mistura. É um post que fala de amor incondicional de uma mãe e de um filho. É um post para me lembrar de nunca me esquecer aquilo que me fazes sentir hoje com 4 anos.

"Hoje, que fazes 4 anos, quero dizer o quanto te amo mesmo antes de teres nascido, antes ter olhado para aquele teste de gravidez. No momento em que vi aqueles dois traços, já sabia que te amava. Tinha a certeza absoluta de que já estavas a crescer dentro de mim, e que jamais alguém me faria sentir aquilo que sentia. 
Sabes, não foste planeado mas foste fruto de um amor a sério, daqueles que começam muito cedo, quando as pessoas ainda são muito jovens, e que duram muitos anos, mas que infelizmente um dia terminam. Isso significa que a mãe e o pai deixaram de se amar, mas nunca deixámos de te amar. A verdade é que provavelmente estamos a fazer um trabalho muito melhor a educar-te, do que faríamos se estivéssemos juntos. 
Depois de 9 meses a ter-te só para mim, tive que te partilhar com o mundo. Ainda não querias sair, e eu percebo-te. Estávamos tão bem só nós dois, porque haverias de querer sair? Partilhávamos tudo nessa altura e nunca nos separávamos. Assim que nasceste, o enfermeiro disse-me que tinhas o nariz como o meu. Depois eu vi-te e confirmei que era verdade. Do teu pai herdaste o cabelo e o espírito irrequieto. O gosto pelos jogos e a aversão a legumes. Da mãe, além do nariz, herdaste o gosto pela pintura e pela leitura. Herdaste também a forma como reviras os olhos quando a conversa não te interessa, ou os tiques nervosos quando algo não está como tu queres. Herdaste o choro fácil e até a forma como fazes beicinho. Herdaste as birras de sono ou fome, e o gosto pelo chocolate e pela música. Por mais que digam que te assemelhas a ele, não existe no mundo ser mais parecido comigo que tu. Tens tanto de mim! 
Desde esse dia que quatro anos passaram e tu cresceste tanto. Já não és aquele bebé pequenino e indefeso, que eu carregava no colo encostado ao meu peito para acalmar quando chorava. Perguntaste-me no outro dia se ainda eras o meu bebé e eu respondi-te que sim. Ainda és o meu bebé. Serás sempre. Mesmo quando tiveres 18 anos e decidires tirar a carta, ou quando tiveres 25 e fores pai. Serás o meu bebé aos 32 quando mudares de emprego e serás o meu bebé quando for eu a usar fralda já bem velhinha.
Gostas de livros e música. Gostas de pintar. Gostas de me ajudar na cozinha. Gostas de sair para ir ao parque e gostas de ficar em casa o dia todo. Gostas de dar beijos e abraços. Gostas de segredos. Gostas de douradinhos e puré. Gostas de jogos na consola e gostas de brincar. Gostas dos Heróis de Higglytown e dos Little Einsteins. Gostas de me tirar fotografias. Gostas que te leve ao colo até à cama e te cante várias canções. A tua última pancada são os piratas e as framboesas. Não gostas de legumes. Não gostas de esperar. Não gostas de lojas de roupa. Não gostas do escuro nem de monstros. Não gostas do benfica. Não gostas de estar sozinho. Não gostas de laranjas nem tomates. Mas isso é aqui, nas semanas sim. Sinto que adaptas os gostos consoante as semanas. É normal, penso eu, porque a vida é diferente, os gostos e as pessoas à tua volta. Mas será normal? Só tens 4 anos!
Tão pequenino ainda, já passaste tantas fases, mas sempre mantiveste esse sorriso que me aquece o coração. Nada me faz mais feliz que ver-te sorrir. E tu sorris muito, sinal de que és feliz, certo? És feliz, não és, meu filho? Isso é o mais importante, não é? (...)"



Aquele beijo,
*muah*
Ana