Monday, March 24, 2014

[read all about it] De mansinho, ele foi entrando para ficar

Às vezes dou por mim a ler coisas escritas à algum tempo. Sempre gostei de escrever, mas depois de me separar, principalmente em semanas não, gatafunhava folhas e mais folhas. Quando adoeci e fiquei em casa escrevia ainda mais. 
No outro dia encontrei um texto sobre o R. grande, escrito um ano antes de começarmos a namorar. Não gosto muito de falar sobre ele aqui. Ele é meu! Sim, o sentimento de posse existe! É meu e só meu, como dizia o anúncio. Não o quero partilhar com ninguém, e falar sobre ele e sobre como ele é especial é partilhar aquelas coisas só nossas. Também não gosto de falar das coisas que faz que me fazem saltar a tampa. Primeiro, porque o R. grande raramente me faz saltar tampa, e mesmo quando ela poderia saltar, eu estou a aprender a controla-la, pois saltava com demasiada facilidade. 
Não foi fácil conquistar-me. Estava demasiado zangada com o sexo masculino e dizia frequentemente que não iria ter mais relacionamentos. Mas ele foi conquistando aos poucos. Eu deixei-o entrar na minha vida e na minha casa porque ele já fazia parte da vida do R. pequeno antes de me separar. Se assim não fosse, dificilmente teria entrado cá em casa. Mas entrou, e ajudou-me muitas vezes a tratar o R. pequeno e a fazer coisas que normalmente os homens fazem, tipo trocar lâmpadas ou pendurar candeeiros e cortinados.  De mansinho, muito de mansinho, ele conquistou o coração da mãe leoa.

"Lisboa, Agosto de 2011 

(...) Às vezes encosto-me à ombreira da porta e fico a vê-los. Assim que ele chega, o Rodrigo corre para o quarto, senta-se na base do escorrega e aponta para a prateleira demasiado alto para lhe chegar. Quer que o R. lhe leia mais uma vez o livro da família ou o livro do pirata, sentado no chão ao lado dele. Um ritual que se tem repetido sempre que o R. nos visita. Enquanto me deleito com a história que conta sobre as fotos coladas no livro da família, e em como ele arranja sempre uma piada nova sobre as mesmas, observo o carinho com que ele olha para o meu filho. É puro amor. Eu sei. Debato-me sobre deixa-lo ou não fazer parte da nossa vida, da minha e da do meu filho, mas apercebo-me que já faz. O Rodrigo gosta dele e dificilmente o esquecerá, ficando ele comigo ou não. (...)"


Castelo de Almourol


Aquele beijo,
*muah*
Ana