Wednesday, March 19, 2014

[há dias assim] dia do pai

Hoje é dia do Pai. 

Posso-vos garantir que grande parte das publicações hoje, no facebook ou blogs ou seja onde for, serão para desejar um feliz dia aos pais. Este post, será em tudo semelhante a muitos outros posts, porque sei que não estou sozinha. 

Eu não gosto deste dia. Tenho um pai, mas não o posso abraçar. Ele partiu para outro lugar, e agora já não volta. Acredito que seja um lugar melhor e que ele esteja confortável, mas também não o quero visitar ainda. Posso dizer-lhe que o amo, mas não usam telefones lá no céu e não irei ter qualquer resposta.

Também já não tenho avôs, e o pai do meu filho também não me "pertence". Portanto, para mim, este dia é um dia triste. Quero voltar a ter um dia do pai feliz, tornando o homem que me atura diariamente em pai de uma qualquer cria, mas para isso ainda faltará algum tempo... Até lá, vou continuar a não gostar deste dia, porque queria muito poder abraçar o meu pai e não posso.

O meu pai partiu em 2010. Perdi o meu rei para aquela estúpida doença, e em 3 semanas o meu mundo desabou. É que o meu pai era um pai fantástico. Já aqui disse mas repito, não conheci ninguém com um coração como o dele. Era daquelas pessoas que dava sempre qualquer coisa a quem estava a pedir, e não sabia dizer que não. Lembro-me do meu pai divertido, com uma gargalhada típica e irritante, mas que nos fazia rir também. Era sério e responsável e foi com ele que aprendi as noções do certo e errado, do justo e injusto. Tornei-me responsável e trabalhadora graças a ele. Lembro-me quando lhe dava para dançar ou cantar e morríamos de riso lá em casa. Não aguentava bem a bebida, e um copinho a mais e tínhamos dança de certeza. Era a pessoa que eu mais queria que se orgulhasse de mim. Era o meu maior apoio e ajudou-me sempre que precisei. Não foram poucas as vezes...

Quando o meu pai partiu chorei muito. Ainda choro. Ainda me faz muita falta. Queria que ele me tivesse visto feliz, mas ainda bem que não esteve cá quando o meu mundo voltou a tremer. Teria sofrido ainda mais do que eu. Queria que me tivesse levado ao altar, porque sei que iria sentir-se inchado de orgulho. Queria que visse o neto crescer. Queria tanto mas tanto que visse o neto crescer. Porque ele adorava o R. e iria adorar ainda mais. Porque era um excelente pai e ainda melhor avô. Porque iria ser alguém que o R. iria admirar. Faço questão que o R. saiba quem era o avô. E ele sabe. Reconhece-o nas fotos e sabe que está no céu. E fala como se se lembrasse mesmo. Mas só tinha 6 meses...




Hoje não tenho a quem dar um presente do "dia do pai". Nunca mais terei, mas o meu pai deixou-me tudo o que tenho e tudo o que sou, que era tudo o que ele me podia deixar. 

Amo-te papi, onde quer que estejas.

Aquele beijo,
*muah*
Ana