Wednesday, June 4, 2014

[há dias assim] Dia da criança, a dia 3 de Junho...

Ontem foi dia da criança. Ou melhor, não foi dia da criança, porque esse já passou, mas foi o nosso dia da criança, porque estivemos juntos ontem, e não no dito dia. Foi dia de mimo e palhaçada. Foi dia de prendas e vontades. Foi dia de o estragar com mimos porque morria de saudades. Fazê-lo feliz é fácil. A forma com se ri mostra bem o quão feliz é. Aquela gargalhada fácil. Os olhos a brilhar por estar a receber presentes, que no fundo ele já sabia que ia receber. Mas estava feliz. Tão feliz... Estamos em semana não. O nosso dia da criança resumiu-se ao bocadinho entre sair da escola e ir para casa do pai. Foi curto, muito curto para poder dar todos os beijos e abraços que me apetecia. Mas fez-me feliz vê-lo feliz. Entre muitos livros e dois brinquedos (Playmobil, porque estamos a construir um grande zoo cheio de diferentes animais) ainda jantamos fora, no restaurante favorito, ou seja MacDonalds, e ainda trouxemos mais um livro para casa. Guardamos segredos, e conversamos. Fizemos palhaçadas e contou-me como foi o seu passeio da escola. Discordamos e levantei o sobrolho e a voz também. Mas tudo faz parte. Feliz dia das crianças. Por o dia das crianças é todos os dias. Um bocadinho cliché, mas a mais pura das verdades. 



Aquele beijo,
*muah*
Ana

PS - Se algum de vocês quiser comprar Playmobil através da loja online (que é mais barata e tem mais coisas) falem comigo e dividimos os portes. Os portes são standard independentemente da compra, portanto ficava bastante mais barato a todos!

Tuesday, June 3, 2014

[há dias assim] desculpem-me novamente...

Estamos em semana não, mas hoje é dia sim. O dia da criança foi passado com o pai M. e portanto hoje vai ser o nosso dia da criança. Desculpem-me por andar ausente. Não só do blog, mas das conversas com os/as amigas, das visitas quase diárias à casa da mãe, das muitas mensagens trocadas com as pessoas próximas. Tenho-me dedicado à pintura e à casa. Sinto-me a ficar senil, é um facto. Esqueço-me de tudo frequentemente, até do que disse à poucas horas atrás. Ando distraída e destrambelhada. Ando cheia de ideias e com pouca força. Mas tenho milhões de ideias para posts, só não me consigo sentar a escrever. As ideias enrolam-se umas nas outras, assim como a minha língua se enrola quando tento falar por vezes... 

Não está fácil, mas hoje é dia sim, e será um dia para nós! Estou feliz por it matar saudades, embora sempre tenha mostrado esta minha relutância nestes dias. O R. sabe que a meio da semana vai ao pai ou à mãe. O pai M. sabe que a meio da semana janta com ele ou janto eu com o R. Eu também sei disso. Mas sei também que me custa ainda mais vê-lo ir-se embora. Sabe bem matar saudades, mas tira-me o ar vê-lo ir-se embora 2 vezes na mesma semana.

Disse que teria novidades, mas a vida dá tantas voltas que acabei por ficar no mesmo sitio, e sem novidades nenhumas. Se surgirem, aqui vos contarei. Por hoje, ficamos assim...

Aquele beijo,
*muah*
Ana

Friday, May 23, 2014

[há dias assim] e a saga contínua...

Estou novamente em casa. O mesmo de sempre, e do qual falarei apenas a seu devido tempo. O diferente é que estou acompanhada. Eu e o príncipe R. estamos em casa a tratar as nossas maleitas. Está xoxo, mas sem febre. Não quer comer e está a ser difícil manter-lhe alguma coisa na barriga. A criança não é fã de papa, mas é a única coisa que estou a conseguir que coma (contrariado) e que não saia logo de seguida. Neste momento tem mais energia. Fizemos uma sesta prolongada e reconfortante agarrados um ao outro. Como eu é bom senti-lo assim tão perto. Vamos ver como corre o resto do dia, embora lá se espere um fim de semana em casa para recuperar totalmente.



Aquele beijo,
*muah*
Ana

Thursday, May 22, 2014

[não me sai da cabeça] Agir - Eu quero

Gosto de música portuguesa. Gosto deste tipo de música. E fica no ouvido. E gosto das músicas dele. Não sou fã à muito tempo, mas sou fã! E hoje, fico-me por aqui! Não me sai da cabeça e adoro demais. Agir - Eu quero.

"Eu dou voltas e voltas // E eu não percebo // Como é que ela não nota // Que ela é tudo o que eu quero"



Aquele beijo,
*muah*
Ana

Sunday, May 18, 2014

[há dias assim] não, não fugi!

Pois não. Eu não fugi! Também não desisti de escrever, nem perdi a inspiração. Foi-se foi o tempo livre. Voltei ao trabalho (mais ou menos). Estamos em semana não, mas por aqui há sempre que fazer. Seja como for, tenho muito para escrever, e só espero esta semana conseguir por no blog aquilo que me tem andado a passar na cabeça. Ah, e espero trazer-vos novidades em breve... Logo verão.




Aquele beijo,
*muah*
Ana

Monday, April 28, 2014

[há dias assim] hoje farias anos...

Sem muito para dizer, relembro só este post. Diz muita coisa. Fica muito ainda por dizer. Mas a semana, o dia, o mês, estão a ser demasiado cansativos. O meu pai hoje faria anos... É isso apenas! Perdoem-me por não escrever, mas nem para escrever tenho vontade.


Aquele beijo,
*muah*
Ana

Sunday, April 20, 2014

[cartas ao meu filho] a primeira Páscoa sem ti

"Foi este ano a primeira vez que passei a Páscoa sem ti. Não que dê importância à Páscoa (e desculpem-ma se isto possa chocar alguém), mas é a primeira vez que realmente me está a dizer alguma coisa. É que quando estamos juntos, é só mais um dia que estamos juntos. Mas quando não estamos, custa tanto. Viajei sem ti para um sítio que sei que gostarias de viajar comigo. Escondi de ti que vinha para não te deixar triste. Disse a todos que perguntaram por ti que estavas com o pai M. de olhos tristes e cabeça em baixo. Faço para que ninguém note que estou triste. Apoio-me no R. grande e dou a ele os mimos que estão sempre guardados para ti. Estou sentada no sofá de olhos quase a chorar de saudades. Mas é assim que tem que ser, porque o pai M. também te quer ter com ele, e temos que te "dividir". Faz-me confusão dizer isto. Dividir-te! Fazer a troca. Como se fosses um objecto, uma coisa. Não gosto. Não gosto mesmo nada. Custa-me tanto sair de Lisboa sem ti. Fica sempre uma parte de mim em casa, no "nosso" cantinho. Sei que me faz bem e que te faz bem. Sei que preciso de descanso, de relaxar. Mas sei que me sinto tão melhor quando aqui estás. Fica um beijinho para ti, cheio de amor, carinho e saudades. Preciso do teu abraço brevemente. Boa Páscoa, príncipe."



Aquele beijo,
*muah*
Ana

Wednesday, April 16, 2014

[há dias assim] de coração apertado

Estou de coração apertado, a desejar com todas as minhas forças que tudo corra bem a uma amiga querida. Uma amiga que não conheço a fundo, mas que me apoia e tem apoiado sempre. Uma amiga que comigo partilha uma doença, e por isso sabe o que sinto diariamente. Uma amiga que comigo partilha uma vida cheia de muitos altos e baixos (mais baixos que altos) mas que continua com um sorriso. Uma amiga que a vida resolveu colocar-me à frente e que eu estou feliz por isso. É nas adversidades que se reconhecem os amigos. Estou de coração apertado porque sei que ela também o está. 

Um beijinho cheio de força e um xi-coração apertadinho, para ti minha querida Nélia.


Aquele beijo,
*muah*
Ana

Tuesday, April 15, 2014

[há dias assim] viver com fibromialgia

Hoje deveria estar acompanhada. Continuam as férias da Páscoa, mas deixei-o a divertir-se na casa do pai. Sei que também gosta. E eu cá estou, com as minhas mazelas, que parece que apertam mais quando a saudade aumenta.

Quando me começaram a falar na possibilidade de ter fibromialgia, comecei a pesquisar e realmente muita coisa se encaixava. Coisas que tenho desde sempre e que nunca tiveram uma explicação muito certa, mas que passaram a fazer sentido. Sei que muitos não estão familiarizados com a doença, e não percebem como é que as pessoas parecem bem, mas dizem estar doentes. Infelizmente, ouvi muitas vezes "que me fazia de doente", porque não percebiam ou não queriam perceber. Muitas vezes perguntam-me como estou e até já falei disso aqui no blog.

O que acontece é que um fibromiálgico sofre várias perturbações que se manifestam devido a anormalidades bioquimicas e metabólicas que envolvem o sistema nervoso central, neuroendócrino e musculo-esquelético e causam forte impacto na rotina do paciente. O que é que isto significa? Significa que os fibromiálgicos, além dos sintomas comuns de dor, fadiga e sono não reparador, infelizmente, têm dezenas de outras indisposições ao mesmo tempo, e que nada têm a ver umas com outras.

Posso dar-vos um exemplo que me acontece com frequência:
As dores, tenho-as sempre, mesmo medicada. São dores nos pulsos, nas costas, no pescoço ou nos tornozelos.
A dificuldade em dormir (ou descansar durante o sono) é frequente, quase diária, havendo um ou outro dia que finalmente consigo mesmo descansar. Mas com rotinas alteradas, dando-me sono de manhã ou de tarde, e à noite, sempre sem vontade de dormir (e não, não durmo a sesta).
Depois tenho outros sintomas, por exemplo, sensações frequentes de frio ou calor, ou seja, tanto estou a tremer de frio tapada com 20 (exagero) mantas, como me estou a destapar e a tirar as mantas e as meias e os casacos e a soprar de calor, num espaço de 10 minutos. 
A sensação de boca seca (e no meu caso, estupidamente agravado a garganta seca) provocando dificuldade em falar muitas vezes, e rouquidão. Em situações de stress, esta dificuldade aumenta, devendo andar sempre munida de uma garrafa de água.
A sensação de queimadura ou a dor apenas ao toque. Muitas vezes, basta a roupa "roçar" num determinado ponto onde me sinto a queimar e dói. Dói muito, como se estivesse mesmo a arder naquele sitio em especifico.

E depois há tantas outras coisas... Como já disse, vou falar aqui desta doença porque embora seja mais comum do que pensamos, ainda não há muita informação. Quem sabe, não chego a alguém que esteja a passar pelas mesmas dificuldades. Atenção que andei (e ando) mais de 2 anos em médicos, em especialidades diferentes, em exames e análises, terapias e fisioterapias, até chegar a uma conclusão. A esta conclusão de que a doença que tenho não se manifesta em qualquer análise ou exame. É um diagnóstico feito por exclusão das outras doenças. Não é um diagnóstico fácil, e foi preciso andar de médico em médico até realmente chegar à doença.



Aquele beijo,
*muah*
Ana

Saturday, April 12, 2014

[não me sai da cabeça] Diogo Piçarra - Volta

Não há muito a dizer sobre esta música, a não ser que a primeira vez que a ouvi chorei desalmadamente. E na segunda e na terceira. Tudo na letra faz sentido. O Diogo é a pessoa perfeita para cantar esta música. Fica-lhe mesmo bem. Não consegui transcrever uma frase. Teve que ser a letra toda. Gostava tanto que voltasses...  Não me sai da cabeça e adoro demais. Diogo Piçarra - Volta.

Volta
Fica só mais um segundo
Espera-te um abraço profundo
Nele damos voltas ao mundo
No amor mergulhamos a fundo
Quero-te só mais um momento
Para pintar o teu céu cinzento
Marcar o teu rosto no meu peito
Recriarmos um dia perfeito
Volta para bem dos meus medos
Preciso de ti nos meus dedos
E acordar-te sempre com segredos
Com um sorriso paravas o tempo
Volta porque não aguento
Sem ti tudo fica cinzento
Prefiro ter-te com todos os defeitos
Do que não te ter no meu peito
Porque sem ti não consigo
Volta para me dar sentido
Sou apenas um corpo perdido
Por isso só te peço que voltes
Volta (5x)
Isto dá voltas
Partiste para outro mundo
Deixaste-me aqui bem no fundo
Só peço por mais um segundo
Volta só por um segundo




Aquele beijo,
*muah*
Ana

Thursday, April 10, 2014

[há dias assim] cansativos, mas tão bons

Continuamos a nossa semana de férias em casa. Passamos o dia de pijama, a brincar e a fazer actividades preparadas aqui pela idiota. Esta cria cansa mesmo muito! Não percebo como tem energia das 8:30 às 22:30 (horário alargado de férias). Eu ando praqui quase a rastejar e ele fresco como uma alface. O dia começa cedo, normalmente com bonecos na televisão ou no computador, enquanto toma o pequeno almoço. Seguem-se as actividades lúdicas, tipo pintar ou fazer puzzles que duram algum tempo. Às vezes só dou conta que tenho que ir fazer o almoço já em cima das 13:00. Confesso que me sabia bem se ele brincasse uma horinha sozinho sem me chamar, mas isso é impossível. A não ser que esteja a fazer muita asneirada, mas normalmente a asneirada é feita com sons altos e gritos e gargalhadas. Esta coisa de ser mãe não é fácil, mas eu sinto-me mesmo bem nesta posição. Não me importaria de ser uma stay-at-home mum se não me fizesse falta um ordenado. Claro que a escola faz bem, e eles aprendem muito e brincam com outras crianças. É giríssimo ver o que vão aprendendo, mesmo só quando estão a prestar atenção à maneira como alguém desenha. É no duche que ele gosta de me mostrar todas as letras que sabe. Desenha-as no vidro, e fá-lo muito bem. No outro dia estava excitadissimo por saber fazer um ponto de interrogação. Fizemos também uns coelhos de Páscoa com rolos de papel higiénico. Ficou feliz e andou a brincar com eles. Ele gosta mesmo destas coisas, como a mãe. Mas não sou fanática das artes. Acho que há tempo para tudo. Na terça feira fomos ver o rio. Ele diz que gosta muito da paisagem e ficou a admirar a água, os peixes e os barcos. É uma criança muito observadora. Também há tempo de jogar consola aos bocadinhos, ou fazer lutas de beijos (as únicas lutas que gosto de incentivar). É pena o tempo estar xoxo. Ontem saímos para ir ao parque e começou a chover. Ainda há muitas actividades para experimentarmos e coisas para aprendermos. É incrível que se porte muito melhor quando estamos sozinhos. Quando o R. grande chega, parece que passou cá um furacão. Tenho cá para mim que é uma questão de chamar a atenção. Vamos continuar as nossas férias, provavelmente vamos até prolongar mais uma semana sim, o que me deixa super feliz. Os dias são cansativos. Muito mesmo. Depois de o pôr na cama, começo a ficar com os olhos pesadíssimos. Mas sabe tão bem.

Talvez o próximo projecto?


Aquele beijo,
*muah*
Ana

Tuesday, April 8, 2014

[há dias assim] cheios de amor, baba e xi corações apertados

Estamos em semana sim. A segunda consecutiva, e que me enche de sorrisos e cansaço. Estamos de férias, o que significa que estamos os dois juntos, 24 sobre 24. É cansativo, oh Deus se é! Mas sabe tão bem aquele abraço apertado e aqueles beijos cheios de baba. Preparei-me antecipadamente para esta semana, pesquisando no Pinterest tudo o que é actividades giras para fazer com os putos. Tivemos sorte, e está bom tempo o que permite ida aos parques aqui da urbanização. Mas o cachopo prefere ficar em casa a curtir os pincéis e as tintas. Ontem pintámos pedras da praia que estavam guardadas religiosamente desde o verão passado (algo a que o R. grande chama de tralha acumulada) e fizemos um desenho a pincel, jogámos consola (durante 10minutos, porque ele farta-se rápido), rasgamos papel para uma actividade futura, vimos fotografias da nossa viagem de sonho. Tomou um banho longo, com direito a brincadeira, algo que nos dias de escola não acontece. Ficou acordado até mais tarde, porque sim, o que também não acontece nos dias de escola. Estivemos só os dois. Almoçámos e jantámos a dois. Ajudou-me, como sempre, a pôr e triar a mesa. Limpámos a varanda para hoje podermos ir lá para fora. Deitei-o e ainda tive tempo de recolher roupa, estender outra que tal, fazer uma máquina de roupa e outra de loiça, e pintar duas coisinhas que tinham ficado a meio, por causa de pedidos do reguila. Já de madrugada, deitei-o na minha cama, como ele pediu. Soube tão bem aquele bracinho pequenino em cima de mim. Hoje volta tudo ao normal, e seremos 3 outra vez. Mas faz bem "namorar" só a dois com os nossos meninos. Estou cansada. Muito cansada. Qualquer pessoa ficaria se chamassem por ela de 2 em 2 minutos durante 13 horas seguidas. E se ele esperar 2 minutos para voltar a chamar é muito... 



Aquele beijo,
*muah*
Ana

Saturday, April 5, 2014

[há dias assim] o acordo do poder paternal

Quem leu este post, saberá do que estou a falar. Nesse dia, tomei a decisão de aceitar o estúpido do acordo de regulação de poder paternal. Aceitei a igualdade parental. A assistente social fez um excelente trabalho a confundir aquilo que eu penso e acredito. Saí de lá com a sensação de que estava a ser egoísta. Com a sensação de que o melhor para o R. era continuar a viver semana sim, semana não comigo. Com a sensação de que lhe estaria a provocar instabilidade em vez de estabilidade. Assinei um acordo que vai manter tudo exactamente igual ao que tem sido vivido nos últimos 3 anos, e no qual eu não acredito desde o primeiro minuto. Assinei-o porque sabia que seria isso que a assistente social iria escrever no relatório dela. Assinei-o porque ela fez-me pensar que o meu problema com isto tudo eram as minhas saudades e não o bem estar do meu filho.

Hoje, o acordo deverá estar assinado por mim, pelo M. e pelas duas advogadas que não tiveram papel absolutamente nenhum neste teatro. O acordo deverá estar numa qualquer pilha de papel, provavelmente acordos e desacordos, num qualquer edifício à espera da homologação de um qualquer juiz que, tal como as advogadas, não teve qualquer papel nesta história. Hoje, eu deixei de estar confusa e voltei à fase inicial, em que penso que esta vida semanal não é de todo boa para qualquer um de nós. No entanto, terei que viver com o peso da minha decisão para o resto da vida.

O que a assistente social defendeu foi que o R. tinha tudo! Tinha uma vida fantástica, uns pais fantásticos e estes pais fantásticos tinham o dom da comunicação, coisa rara em separações. Se estes pais têm o dom da comunicação, saberão resolver todas as divergências conversando. Saberão dizer um ao outro aquilo que não concordam e chegar a um acordo sobre o que é ou não favorável para o R. Estes pais fantásticos saberão acatar o que o outro diz, se acreditarem que realmente o outro tem razão. O problema é que os pais fantásticos são óptimos a comunicar, mas do comunicar ao fazer está um abismo que tem que ser atravessado, passo a passo, por uma ponte de cordas estreita que abana a cada conversa, e ao mínimo deslize pode provocar a queda nesse tal abismo. Entre o comunicar e o fazer, existe ainda um tentar, palavra que já vos disse que não gosto, mas que, pelo menos, implica uma intenção. Por vezes sinto que nem intenção de fazer o que lhe peço o M. tem. Diz-me que sim, como quem fala com os malucos, mas as coisas não passam do mesmo.

O que a assistente social pensa é que essas coisas das quais eu confesso que são mesquinhas, mas no fundo tão importantes, podem ser resolvidas através da comunicação. O que ela não percebeu foi que eu já tentei tantas vezes comunicar, e ouvi tantas vez um "sim, vou tentar", "sim, vou fazer", mas nunca chegou mesmo a fazê-lo.

Por exemplo, a questão da sopa. Desde muito pequeno que o R. não come sopa em casa do pai. Desde muito cedo que digo ao M.que é importante. Desculpem-me, mas não é preciso ter um mestrado para saber que os legumes e as hortaliças fazem bem a uma criança em crescimento. É senso comum. Uma coisa é nós não gostarmos de comer legumes e hortaliças. Aí não somos capazes de dar o exemplo. Mas se sabemos que faz bem ao crescimento da criança, damos-lhe sopa! Até comemos a sopa para servir de exemplo. A sopa faz bem! Então porque raio é que o meu filho só come sopa ao jantar semana sim, semana não? Porque o pai não gosta de sopa e defende-se dizendo que é mais importante variar entre a carne e o peixe. Bolas M. achas mesmo que comer sopa não é importante? Custa assim tanto por meia dúzia de legumes dentro duma panela e depois passá-los? Ou o problema será a "birra" que vais ouvir do teu filho porque lhe criaste o hábito de não comer sopa? Eu sei que tu me lês M. Tu disseste-me! Já falamos tantas vezes sobre isto. Custa assim tanto? Não te esqueças nunca que os nossos filhos são o nosso espelho! Então temos que dar o exemplo.



São estas pequenas coisas, mesmo pequenas, que me fazem pensar que a escolha de assinar o acordo não foi certa. Por outro lado, encho-me de teorias que sustentem a igualdade parental para me defender desta decisão. Não sei o que está certo. Não sei se era egoísmo ou não quere-lo sempre aqui. Sei que o M. é o pai, e que ter um pai presente é importante. Mas ter uma mãe sempre por perto também é. Espero que o meu filho acredite que sempre tentei fazer aquilo que achava melhor para ele. Acho até possível que ele me venha a agradecer por ter sempre permitido esta vivência com o pai M. mas provavelmente vai achar que não lutei o suficiente para ficar com ele só para mim. Se assim for, espero que me perdoe. Deixei de lutar por achar que estava a fazer o certo. E agora já não sei se o certo está certo.

Aquele beijo,
*muah*
Ana

Thursday, April 3, 2014

[não me sai da cabeça] Michael Buble - Haven't met you yet

Quando estava grávida do meu filho, o Michael Buble fez questão de lançar um som que me fazia dançar e sorrir. O meu filho começou a ouvir esta música ainda na minha barriga. Quando nasceu, dançamos a mesma música vezes sem conta, sozinhos em casa, e agarradinhos um ao outro. Aquela sensação de que a letra da música fazia tanto sentido. E o video, hilariante! Já sabem, não me sai da cabeça e adoro demais. Michael Buble - Haven't met you yet.

"And I know we can be so amazing // And baby, your love is gonna change me // And now I can see every possibility // And somehow I know that it'll all turn out // You'll make me work, so we can work to work it out // And I promise you, kid, I give so much more than I get // I just haven't met you yet"




Aquele beijo,
*muah*
Ana

Wednesday, April 2, 2014

[há dias assim] step into my shoes - parte ii

Ontem, quando pedi para pararem de me perguntar como estou não quis de maneira nenhuma parecer mal agradecida. Eu agradeço o facto de se preocuparem comigo. Mas eu não sou uma coitadinha, nem quero ser. Não quero que as pessoas olhem para mim com pena. Eu sou o que sou. Aceitei a doença e tornei-a pública porque senti necessidade de explicar o porquê de estar tanto tempo sem trabalhar. Não que as pessoas tenham alguma coisa a ver com isso. Só quem partilha comigo a vida é que tem que estar informado. Mas ele está. É o único que sabe das minhas dores. Não sabe de todas, nem de metade. Não quero que viva as minhas dores. Não quero que ninguém as viva. Por isso quando me perguntarem como estou levam com um "Estou bem, vou andando, uns dias melhores que outros", independentemente daquilo que sinto.

Ontem, quando disse que não iam entender, tinha razão. Como se entende algo que não aparece em qualquer exame médico, algo que não nos faz parecer doentes? É que não é nada fácil explicar. No meu caso, nem sequer sei quando comecei a ter fibromialgia. Como ou porquê apareceu. Tenho umas ideias, depois das pesquisas que fui fazendo. Pesquisei muito e nem eu própria entendo bem. Contínuo sempre a pesquisar, e talvez comece a partilhar aquilo que vou aprendendo aqui. Pode ser que torne mais fácil perceber porque não quero tanta pergunta. 


É mais ou menos isto!
Se me vires na rua, não saberás nunca que tenho uma doença crónica. Se souberes da minha vida, nunca acreditarás que tenho dores. Se trabalhares comigo, não ouvirás as minhas queixas. As aparências iludem, já dizia o velho ditado. 

Ontem, talvez tenha soado mal, mas espero que me entendam. Obrigada <3

Aquele beijo,
*muah*
Ana

Tuesday, April 1, 2014

[há dias assim] step into my shoes

Disse à minha psicóloga que apesar de ter fibromialgia, iria fazer uma vida normal, agora que já estava medicada, e que tudo ia correr bem. Ela respondeu-me que eu nunca iria ter uma vida normal, e que ia ser muito difícil fazer o meu dia-a-dia. Disse-me que tinha tido pacientes com fibromialgia e que era muito complicado. Não acreditei. No outro dia, enquanto varria o chão lembrei-me dela. É que bastou varrer o chão da casa toda, para me sentir na merda logo a seguir. Mas eu tenho a mania de que sou a super-mulher, e quando me chega um daqueles picos de energia, toca de fazer tudo o que consigo até não conseguir mais.

Se são meus amigos, se me conhecem bem e se se preocupam, não me perguntem como estou. Não queiram saber pormenores da minha doença ou do meu dia-a-dia. Não questionem se estou melhor ou se acordei sem dores. Eu não quero falar sobre como me sinto, porque na maior parte dos dias, eu já nem sinto. Quando quero falar, quando me apetece deitar cá para fora, eu deito, mas parem de fazer perguntas, porque na realidade, nem sequer iam entender.


Estou determinada a não me dar por vencida, mas tem dias que por mais vontade que tenha, até levantar da cama custa...

Aquele beijo,
*muah*
Ana

Friday, March 28, 2014

[há dias assim] é assim a vida!

As pessoas surpreendem-nos. Outras desiludem-nos. É assim a vida! Desiludida, mas também muito surpreendida! O saldo acaba por ser positivo no fim do dia...

Aquele beijo,
*muah*
Ana

Thursday, March 27, 2014

[há dias assim] ... uma estrelinha que brilha!

Hoje, uma estrelinha faria anos se estivesse junto de nós. Estaria muito velhinha. Mesmo muito velhinha! A minha bisavó era uma velhota cheia de genica. Sem medos! Forte! Mãe de 3 filhos, sozinha! Ficou sem a mais nova cedo demais. Recuperou. Viveu tudo o que tinha para viver. Aproveitou mais que a maioria das pessoas. Viajou. Conheceu pessoas e lugares. Deu-nos cabo da cabeça. Era independente. Fazia o que queria. Era a minha bisavó favorita (as outras que me desculpem). A minha avó Ângela era um exemplo de mulher! Lembro-me muito dela. Aprendi imenso. A bordar. E a estender massa para rissóis ou azevias. A minha bisavó fazia isso tudo e muito mais. Tinha mau feitio. Acho que somos parecidas! Acho que também herdei dela muita coisa. Não sei quantos anos faria, mas sei que seriam muitos. E esta estrelinha hoje brilha com mais força. Que todos consigamos ser feliz como ela era, e chegar onde ela chegou, com a saúde e discernimento que teve quase até ao fim da sua vida.




Aquele beijo,
*muah*
Ana

Tuesday, March 25, 2014

[há dias assim] it takes a big heart to help shape little minds

Sempre disseram que o meu irmão era igual ao meu pai. Sempre disseram que eu, pelo contrário, era mais parecida com a minha mãe. Se fisicamente não podemos negar as semelhanças, cada vez mais acho que o meu irmão está a ficar igual à minha mãe, e eu, cada vez mais acho que tenho um bocadinho do meu pai em mim. O meu coração tornou-se maior, e o do meu irmão mais rancoroso. 




Deixava-me triste ser só assemelhada à minha mãe. Ela é a melhor do mundo, mas também o meu pai era o melhor do mundo. E o meu irmão sempre foi "igual ao pai". Queria ter algo que me aproximasse dele também. Descobri que afinal tenho uma coisa que me aproxima mesmo dele. O coração.

Espero que ninguém se chateie com o que acabei de dizer! E é tudo, por hoje...

Aquele beijo,
*muah*
Ana

Monday, March 24, 2014

[read all about it] De mansinho, ele foi entrando para ficar

Às vezes dou por mim a ler coisas escritas à algum tempo. Sempre gostei de escrever, mas depois de me separar, principalmente em semanas não, gatafunhava folhas e mais folhas. Quando adoeci e fiquei em casa escrevia ainda mais. 
No outro dia encontrei um texto sobre o R. grande, escrito um ano antes de começarmos a namorar. Não gosto muito de falar sobre ele aqui. Ele é meu! Sim, o sentimento de posse existe! É meu e só meu, como dizia o anúncio. Não o quero partilhar com ninguém, e falar sobre ele e sobre como ele é especial é partilhar aquelas coisas só nossas. Também não gosto de falar das coisas que faz que me fazem saltar a tampa. Primeiro, porque o R. grande raramente me faz saltar tampa, e mesmo quando ela poderia saltar, eu estou a aprender a controla-la, pois saltava com demasiada facilidade. 
Não foi fácil conquistar-me. Estava demasiado zangada com o sexo masculino e dizia frequentemente que não iria ter mais relacionamentos. Mas ele foi conquistando aos poucos. Eu deixei-o entrar na minha vida e na minha casa porque ele já fazia parte da vida do R. pequeno antes de me separar. Se assim não fosse, dificilmente teria entrado cá em casa. Mas entrou, e ajudou-me muitas vezes a tratar o R. pequeno e a fazer coisas que normalmente os homens fazem, tipo trocar lâmpadas ou pendurar candeeiros e cortinados.  De mansinho, muito de mansinho, ele conquistou o coração da mãe leoa.

"Lisboa, Agosto de 2011 

(...) Às vezes encosto-me à ombreira da porta e fico a vê-los. Assim que ele chega, o Rodrigo corre para o quarto, senta-se na base do escorrega e aponta para a prateleira demasiado alto para lhe chegar. Quer que o R. lhe leia mais uma vez o livro da família ou o livro do pirata, sentado no chão ao lado dele. Um ritual que se tem repetido sempre que o R. nos visita. Enquanto me deleito com a história que conta sobre as fotos coladas no livro da família, e em como ele arranja sempre uma piada nova sobre as mesmas, observo o carinho com que ele olha para o meu filho. É puro amor. Eu sei. Debato-me sobre deixa-lo ou não fazer parte da nossa vida, da minha e da do meu filho, mas apercebo-me que já faz. O Rodrigo gosta dele e dificilmente o esquecerá, ficando ele comigo ou não. (...)"


Castelo de Almourol


Aquele beijo,
*muah*
Ana