Monday, March 10, 2014

[há dias assim] aceitam-se sugestões!

Semana sim! Começou mais tarde, por causa duns ajustes que fizemos. Domingo depois de almoço o meu piolho volta para casa. Cheio de energia e saudade de tudo o que lhe pertence: o quarto, os brinquedos e a mãe. "Já tinhas saudades, não tinhas?" diz o R. grande quando o pequeno me chama pela nonagésima vez. Sim, tinha saudades até de quando ele se torna tão chato e me chama de 2 em 2 minutos. Tinha saudades de não conseguir ir à casa de banho sozinha, sem alguém me chamar. Tinha saudades de acordar a meio da noite 20 vezes e ir tapa-lo ou ver se está bem. Tinha saudades de correr atrás dele quando ele foge para não ir para a cama. Tinha tantas saudades... 

Fomos ao parque. Estivemos lá um bocado, depois fomos a outro parque e estivemos lá mais um bocado. É o que dá termos 2 parques ao pé de casa. De mão dada, os dois a conversar pelo caminho. O tempo estava bom, sem sol mas sem frio nem chuva. Fartamos-nos de brincar. Juro que às vezes penso no que as pessoas pensam de mim, assim. Mas a imaginação desta criança leva-me com ela para o mundo da fantasia. Ele disse que eu era a Cinderela, e eu gostei que mais uma vez me comparasse a uma princesa. Ele ia-me salvar, e em pleno parque, com mais mães, pais e crianças, eu fingi que tinha perdido um sapato e precisava de ajuda para o encontrar. O importante é divertirmo-nos, certo?

Gosto dos fins de semana de sol na companhia dele. Confesso que odeio parques! Demasiadas mães/pais à minha volta. Vou, porque o R. adora e porque lhe faz bem. Mas gostava de ter ideias para mais saídas nestes dias de sol. Iremos com certeza à praia um dia destes, apanhar conchas e pedras, e sol na cara! O parque continuará a ser opção. Mas se tiverem mais sugestões, eu aceito-as! Vá, ajudem esta mãe que quer passar dias de sol divertidos com a sua cria.


Fico à espera das sugestões.

Aquele beijo,
*muah*
Ana

Friday, March 7, 2014

[há dias assim] Life is better... with SUN!

Estamos em semana não. O R. passou a segunda feira comigo e fomos passear, mas ao fim do dia o pai veio buscá-lo. Pensei que esta semana seria mais fácil a separação porque são menos dias, mas bolas, dói na mesma. E dói tanto. Cada vez mais o R. é o meu melhor amigo e companheiro. Tomámos um pequeno almoço fantástico juntos. Ele gosta de tomar o pequeno almoço a ver bonecos ou agarrado ao computador, e eu costumo deixar porque me dá tempo de arrumar tudo o resto, mas hoje requisitei a companhia dele e  foi bastante divertido. Depois ajudou-me a arrumar a cozinha e pediu-me que brincasse um bocadinho aos piratas. Cedi. Atrasá-mo-nos para o almoço, mas valeu a pena. A mesma vontade de chorar que tenho às sextas feiras, quando ele foi embora ao fim do dia.

Tenho-me mantido ocupada (não fosse a mãe e o mano estarem em casa) e isso faz com que o tempo passe mais depressa. Também me mantém com melhor humor e consigo sorrir. Mas hoje (era quarta feira, mas não publiquei o post como pretendia) acordei com uma maldita dor de cabeça que me tirou todo o bom humor que ainda existisse.

Tenho estas dores de cabeça desde os meus 18 anos. Sofri bastante nessa altura, pois não estava habituada a lidar com a dor. Na quarta feira, nem o quarto escuro e o silêncio funcionavam. Pensei que fosse falta de hidratos de carbono, e fui até à cozinha. Comi e bebi café, que normalmente também ajuda. Tomei mais um comprimido... Dos 14 comprimidos que tomo diariamente, nenhum me tira as malditas dores de cabeça. Já estava a desesperar por esta altura, pois tinha usado quase todos os meus trunfos contra a maldita! Enfiei-me debaixo da água a ferver. A companhia da água e do gás devem achar-me uma óptima cliente, pois o duche quente tem sido o meu melhor amigo ultimamente. Tomei um banho longo, com a água a cair ora nas costas ora na cabeça... Tinha um encontro importante ao qual não ia faltar. Melhorei um pouco, o que me deixou capaz de almoçar com uma amiga e lanchar com outra. Mas de regresso a casa, parece que tudo se complicou.

Ando pouco inspirada para escrever, até para me sentar ao computador, por causa das dores de cabeça. Como o sol se fez ver, decidi pegar no caderno e escrever sentada na varanda. O sol faz-me bem! Quer dizer, faz a todas as pessoas, mas a mim em particular, alimenta-me a alma. Sinto-me tão mais feliz quando está sol... Talvez porque tenho menos dores e fico menos rabugenta. Mas sim, o sol faz-me bem. Ando mortinha para que chegue definitivamente o bom tempo. Já não aguento ver botas à frente! Quero calçar chinelos de enfiar no dedo... Sol, não te atrevas a voltar a abandonar-nos! Precisamos de ti.



Eu também prometo voltar com muitas linhas para vocês lerem. O caderno tem muita coisa escrevinhada. Coisas antigas. Coisas novas. Coisas que não interessam. E coisas que ao reler me fizeram sorrir.

Aquele beijo,
*muah*
Ana

Wednesday, March 5, 2014

[quem me conhece sabe que...] A.D.O.R.O saias!

... adoro mesmo! Se vou às compras é para onde os meus olhos saltam logo. Quando era miúda a minha mãe proibiu-me de comprar saias, dizendo que elas ficavam no armário e eu não as usava. Quando saí de casa, comprei algumas. Agora é o R. grande que me proíbe de as comprar sob o mesmo pretexto. Eles têm alguma razão! Tenho várias saias no roupeiro, qual delas a mais bonita, mas a verdade é que se foram usadas 2 vezes cada uma, estou a exagerar. Algumas nunca saíram à rua. Acho que uma ainda tem a etiqueta. A culpa não é minha! A sério que não! A culpa é do meu rabo! Dizem que é sina de família - ter um rabo grande ou ficar careca! Como sou gaja, herdei o rabo gigante! Eu ainda tenho fé de as usar, e por isso, contínuam no roupeiro, talvez como motivação para tentar (odeio a palavra tentar! tentar não é fazer! tentar é sabotar a acção mesmo antes de a ter experimentado - palavras da sábia Magda) diminuir o rabo. Aqui fica uma espécie de wish list. Uma de cada, por favor! 


#skirts I want









Aquele beijo,
*muah*
Ana

Tuesday, March 4, 2014

[não me sai da cabeça] John Legend - All of me

Há músicas que parece que são escritas a pensar em nós, ou no momento que estamos a viver. Eu tenho esta mania. Se calhar sou só eu, mas costumo dizer muitas vezes que esta ou outra música foi feita a pensar em mim. Esta música do John Legend, cantor que adoro, na minha cabecinha aluada, foi feita pelo R. grande a pensar em mim, e então ele canta-me a música que até fala nas minhas curvas e nas minhas imperfeições perfeitas. Confessem! Faz todo o sentido, não faz? Não me sai da cabeça e adoro demais. John Legend - All of me.

"You're my end and my beginning // Even when I lose I'm winning"



Aquele beijo,
*muah*
Ana

Monday, March 3, 2014

[read all about it] i'm a different person compared to who I was this time last year...

Viver uma separação é uma coisa dura. Tendo em conta que eu não estava à espera, tornou tudo muito mais difícil. Se virmos bem, houve cenas dignas de uma novela das onze, mas essas são as cenas que nós dois, eu e o M., talvez mais duas ou três pessoas sabem que aconteceram e não querem nunca mais lembrar-se delas. Foi difícil. Muito duro. Extremamente marcante. Mas também rejuvenescedor.

"Lisboa, Abril de 2012 

Faz hoje um ano, M. (...) Foi difícil ficar sem ti, mas a verdade é que o difícil foi ficar sem ninguém. Estava habituada a ter sempre alguém que tomasse conta de mim, que me apoiasse, alegrasse ou que fizesse as coisas acontecerem. Por isso é que a minha vida é um emaranhado de coisas sem sentido e decisões desprovidas de qualquer nexo. Hoje agradeço-te por, à um ano atrás, teres finalmente saído da minha vida. Por mais difícil que tenha sido. E foi. Bolas, onze anos não se esquecem de um dia para o outro, mesmo que não me consiga relembrar deles. Mas hoje sou eu que decido por mim. Por mim e pelo meu príncipe de olho azul, que foi apanhado no meu desta grande confusão, sem ter pedido para cá estar. Mas é ele que me mantém sã e capaz de continuar a lutar, mesmo quando todos dizem ser irreal, eu sei que nós – eu e ele – vamos lutar juntos. Ele mantendo-me forte e eu sendo forte por ele. 
Hoje, passado um ano sou dona e senhora das minhas decisões e aceito qualquer castigo que advenha dos meus erros. Mas agora sei que sou eu que os cometo. Não preciso da tua ajuda para seguir por caminhos errados. Qualquer pessoa é capaz de o fazer sozinha. E depois percebe que errou, onde, quando e porquê e aprende. Ninguém lhe põe paninhos quentes nas costas e diz o que fazer a seguir. As pessoas erram. Eu errei. Tu erraste e muito. Mas tu disseste que ia ficar tudo bem e não ficou. Mentiste. É nisso que tu és bom e é disso que te culpo. De me mentir. (...) 
Quero decidir por mim. Errar sozinha. Quero viver sem mentiras e acreditar no amor. Seguir os meus caminhos. Aqueles que, para mim, são os correctos. Porque segui a tua voz, a que aconselhava o caminho à direita ou à esquerda. E o caminho estava sempre errado. Ou pelo menos para mim, não era o caminho certo. Não te culpo por isso. Agora estou a encontrar a minha voz. Essa sim, vai-me levar longe. Não significa que não me perca nalguns cruzamentos, e vire numa ou outra esquina errada, mas vou chegar lá… Seja lá onde for. (...)"




Aquele beijo,
*muah*
Ana

Sunday, March 2, 2014

... tipo, e eu? parte ii

[continuação deste post]

Gosto de pintar. Gosto mesmo muito. Adoro decoração. Tenho uma loja de produtos decorativos feitos por mim, chamada STORIN, que significa "pequenos tesouros". Já visitaram? Gosto de roupa como qualquer mulher, mas odeio ir às compras. Tenho excesso de peso, que adoraria perder assim de noite e sem qualquer esforço, mas isso nunca irá acontecer. Sou uma sonhadora. Acredito que se é para sonhar, tem que ser em grande. Tenho fé numa força superior que não tem nome, e à mais de vinte anos que todas as noites digo a mesma oração, a esse ser. Tenho a certeza que às vezes se esquece de mim, porque não tratou o meu pai, e fez-me perder o meu avô. Mas eu não desisto, e todos os dias O chateio. Adoro ler e escrever (nota-se!). Tive uma professora de português fantástica no secundário. Talvez tenha sido com ela que ganhei estes gostos, porque lá em casa ninguém era fã. Adoro o silêncio. Sinto-me bem quando estou sozinha em casa e tenho tempo para mim. Mas também adoro ter a casa cheia de gente. Gosto de ouvir música alta e de dançar. Não danço à tanto tempo. A porcaria da tendinite na anca nunca se irá curar, porque não consigo estar quieta. Tenho fibromialgia, mas escusam de fazer essa cara. Eu consigo tudo, com ou sem dores. A estúpida da fibromialgia tem-me tramado, e tem-me impedido de trabalhar, mas eventualmente conseguirei fazer com que nem no trabalho ela me atrapalhe. Já vos disse que sou sonhadora? Quero muito ter um negócio. Tenho-o idealizado, só não tenho os meios para o tornar real. Mas no dia que acontecer, será um sucesso. Adoro crianças. Acho que o meu papel neste Mundo é esse - ser mãe. Desculpem se acham que me estou a achar. Mas eu tenho mesmo jeito. Adorava ter quatro filhos. Dois meninos e duas meninas. Não gosto de falar sobre dinheiro. Faz-me infeliz. Fico triste ao ver o meu saldo bancário, mas não resisto a uma ida ao restaurante japonês. Gosto de discutir. Discutir ideias, e não discutir "falar alto e berrar". Adoro conversar, e isso é péssimo para este problema na voz. Falo muito, respiro pouco, a garganta seca, o músculo fica rijo, e a voz vai-se.. Há males que vêm por bem. Conheci uma terapeuta da fala fantástica. Adoro-a. É a minha brasileira favorita. Gostava de fazer desporto. Gostava mesmo muito. Mas já vos disse que tenho uma tendinite na anca? Não gosto de mimos. Odeio demonstrações de afecto que sejam proporcionadas por pessoas com mais de dez anos. Sou meiga com as crianças, mas não me peçam carinho se já forem adultos. Todos os meus namorados se queixavam disto. O R. grande ao principio dizia que era mentira, mas tenho a certeza que agora concorda com os outros. Tenho este ar de miúda fofinha, às vezes até me faço de parvinha a quem podem fazer tudo e mais alguma coisa, mas não acreditem. Se me passar da marmita, passo mesmo. Só sou parva quando eu quero. Não gosto de mentiras. É provavelmente aquilo que mais me incomoda no mundo. Mentiras e falsidade. Não sei ser falsa e tenho dificuldade em ser cínica. Disseram-me que devia aprender a "lamber botas" mas realmente nunca foi um dos meus dons. Gosto de risos fáceis. Gosto de fotografia. Pareço sempre uma palhaça, mas gosto na mesma. Gosto de roupa larga para esconder o corpo. Mas sei que fico bem é com roupa estrelicadinha ao corpo e é isso que uso mais. Sei ser feminina e muito sexy. Adoro saltos altos. O raio da tendinite tem-me feito andar de saltos rasos ultimamente e até já pensei vender a colecção de sapatos que aqui mora. Mas a minha fé naquele ser superior impediu-me de fazê-lo, e hei-de voltar a usá-los. Gostava de saber coser. Mas coser mesmo à seria, para poder fazer a minha roupa. Adorava viajar. Assim, pegar na mochila e ir à aventura. Um dia disseram-me que sou uma pessoa de pessoas. Por mais que eu grite "odeio pessoas", é mentira. Eu gosto delas. De todas. Brancas, pretas, amarelas ou vermelhas. E eu gosto de mim. Acho isso muito importante. Mais importante que tudo o resto.


[to be continued...]


Pintura // Decoração // Moda // Livros  // Sushi


Aquele beijo,
*muah*
Ana

Saturday, March 1, 2014

[cartas ao meu filho] esta coisa de ser mãe...

... é difícil. Eles crescem demasiado depressa e não sabemos se os estamos a educar da forma correta. Eu tenho fé que este meu pirata subnutrido perceba que o que os pais fazem é sempre o que acham mais certo para os filhos. Eu não sou nem melhor nem pior que os outros, mas se é assim que eu acredito, é assim que o vou educar. No outro dia fui buscá-lo à escola sozinha. Olhei para trás, já sentada no carro, e vi-o. Bolas, está tão crescido. Ainda me lembro dele pequenino como se tivesse sido ontem. Ainda é pequenino, mas está tão crescido. Gostava que ficasse assim para sempre.

"Sempre foi fácil aturar-te... há quem diga que pioraste com o tempo. Mas essas pessoas não estavam lá na nossa primeira noite juntos. Tu não querias comer, e preferias chorar. Choravas alto e forte. O que mais barulho fazia naquele quarto de oito mães desesperadas, que só queriam uns minutos de silêncio para poderem descansar. Quando te calavas, um outro bebé qualquer começava a chorar e tu, pumba, juntavas-te a ele. A segunda noite foi igualmente difícil. Já eu duvidava da minha capacidade de ser mãe, quando a enfermeira (da qual não sei o nome nem lhe reconheceria a cara, mas a quem agradeço profundamente) decidiu levar-te com ela para eu descansar. Descansei umas horas, graças à santa enfermeira, e a terceira noite foi fácil. Adormecemos juntos e dormimos 6 horas seguidas. Tive que te acordar para comer, pois já estava com medo que tivesses voltado ao teu jejum. A partir daí as coisas começaram a correr bem entre nós. A enfermeira deve-te ter dado um raspanete. Qualquer coisa do género "já chega de dares cabo da cabeça da mãe, porque ela já está desesperada e a ponto de te atirar pela janela". 

Ainda me dás noites complicadas. Habituei-me a acordar milhares de vezes por noite, para me certificar que estás bem. Outras tantas, porque tu me chamas, seja para pedir xixi, água ou apenas para dizeres que me amas. A minha mãe pergunta-me se não era mais fácil levar-te para a minha cama (como ela fazia comigo). Eu já tentei, mas tu gostas do teu espaço. Então, eu continuo a levantar-me de noite para me certificar que estás tapado ou que não decidiste cair da cama alta que te decidi comprar (e que me atormenta muitas vezes, não vás tu cair dali para baixo). 

Tirando as noites difíceis, e a tua resistência a comida, sempre foste um miúdo muito fácil. Dizem que sou demasiado paciente e até conivente contigo, mas a mãe sou eu e eu é que sei. Gosto de te educar assim. Acho que tenho feito um bom trabalho. Não temos palmadas, nem castigos. Perdoa-me se às vezes levanto o tom de voz. Sabes que não é isso que quero fazer, mas tu, por vezes, consegues tirar-me do sério, e lá se vai a parentalidade positiva pelos ares, e sai um berro mais alto do que devia. Também sabes que quando conto até três, tens mesmo que vir. Não sabes o que acontece depois do três. Nunca quiseste testar. Nem eu sei o que acontece depois do três. És educado. Às vezes esticas a corda. Mas eu percebo. Também vives semana sim, semana não com educações diferentes, e isso deve baralhar-te. Por mais que tentemos ter educações semelhantes, as "crenças" são diferentes. Eu disse ao teu pai para ler a Magda. Ele mandou-me ler o OZ. Lá está, cenas diferentes que nos baralham a cabeça sem sabermos qual é a correcta. O pai castiga, mas a mãe não! O pai deixa fazer tudo, mas a mãe não! O pai deixa deitar tarde, mas a mãe não. E o pai promete prendas se te portares bem, e a mãe não!

Apesar de tudo isso, a má sou sempre eu. Mas aceito esse lugar. Já te expliquei que o meu pai também era mais permissivo, e que a minha mãe era bem mais rígida, mas é por causa deles que eu sou assim, boa mãe. E eu sei que por causa de mim também vais ser bom pai.

No outro dia fomos ao médico. Coisa rara de acontecer, mas lá estávamos os três - eu, tu e o pai. Portaste-te tão bem. Olhei para ti de boxers, sentado na marquesa que era um grande dinossauro, e vi um homenzinho. Não abriste a boca um segundo e o doutor até achou que tinhas perdido a língua. O pai logo a seguir prometeu-te uma prenda por te teres portado tão bem. Eu não disse nada. Quando subimos no elevador para casa perguntaste-me se também tinha uma prenda. Eu disse-te que não. Mas tu querias, porque o pai tinha. Expliquei-te que a tua obrigação é portares-te bem. Que as prendas estão reservadas para os anos e o natal, ou noutros dias que nós acharmos por bem oferecer-te uma prenda. Mas não por te portares bem. Se eu não te castigo quando te portas mal e converso contigo para que percebas o que aconteceu, também não faz sentido dar-te uma prenda quando te portas bem, mas sim conversar e dar-te os parabéns. Acenaste com a cabeça e perguntaste se podias comer uma goma antes de jantar como prémio. Eu disse que sim. És inteligente e sei que percebes o que te digo, mesmo que às vezes comeces aquele choro falso que me irrita e com o qual consegues muitas vezes o que queres. Mas não comigo! Quando te abro os olhos e te pergunto "estás a chorar porquê?" tu páras. Eu vou manter esta minha coisa da parentalidade positiva. Acho que está a correr bem. E acho que eventualmente terei muito sucesso. Estaremos cá os dois para falar sobre isso, mais tarde."





Aquele beijo,
*muah*
Ana