Sunday, March 2, 2014

... tipo, e eu? parte ii

[continuação deste post]

Gosto de pintar. Gosto mesmo muito. Adoro decoração. Tenho uma loja de produtos decorativos feitos por mim, chamada STORIN, que significa "pequenos tesouros". Já visitaram? Gosto de roupa como qualquer mulher, mas odeio ir às compras. Tenho excesso de peso, que adoraria perder assim de noite e sem qualquer esforço, mas isso nunca irá acontecer. Sou uma sonhadora. Acredito que se é para sonhar, tem que ser em grande. Tenho fé numa força superior que não tem nome, e à mais de vinte anos que todas as noites digo a mesma oração, a esse ser. Tenho a certeza que às vezes se esquece de mim, porque não tratou o meu pai, e fez-me perder o meu avô. Mas eu não desisto, e todos os dias O chateio. Adoro ler e escrever (nota-se!). Tive uma professora de português fantástica no secundário. Talvez tenha sido com ela que ganhei estes gostos, porque lá em casa ninguém era fã. Adoro o silêncio. Sinto-me bem quando estou sozinha em casa e tenho tempo para mim. Mas também adoro ter a casa cheia de gente. Gosto de ouvir música alta e de dançar. Não danço à tanto tempo. A porcaria da tendinite na anca nunca se irá curar, porque não consigo estar quieta. Tenho fibromialgia, mas escusam de fazer essa cara. Eu consigo tudo, com ou sem dores. A estúpida da fibromialgia tem-me tramado, e tem-me impedido de trabalhar, mas eventualmente conseguirei fazer com que nem no trabalho ela me atrapalhe. Já vos disse que sou sonhadora? Quero muito ter um negócio. Tenho-o idealizado, só não tenho os meios para o tornar real. Mas no dia que acontecer, será um sucesso. Adoro crianças. Acho que o meu papel neste Mundo é esse - ser mãe. Desculpem se acham que me estou a achar. Mas eu tenho mesmo jeito. Adorava ter quatro filhos. Dois meninos e duas meninas. Não gosto de falar sobre dinheiro. Faz-me infeliz. Fico triste ao ver o meu saldo bancário, mas não resisto a uma ida ao restaurante japonês. Gosto de discutir. Discutir ideias, e não discutir "falar alto e berrar". Adoro conversar, e isso é péssimo para este problema na voz. Falo muito, respiro pouco, a garganta seca, o músculo fica rijo, e a voz vai-se.. Há males que vêm por bem. Conheci uma terapeuta da fala fantástica. Adoro-a. É a minha brasileira favorita. Gostava de fazer desporto. Gostava mesmo muito. Mas já vos disse que tenho uma tendinite na anca? Não gosto de mimos. Odeio demonstrações de afecto que sejam proporcionadas por pessoas com mais de dez anos. Sou meiga com as crianças, mas não me peçam carinho se já forem adultos. Todos os meus namorados se queixavam disto. O R. grande ao principio dizia que era mentira, mas tenho a certeza que agora concorda com os outros. Tenho este ar de miúda fofinha, às vezes até me faço de parvinha a quem podem fazer tudo e mais alguma coisa, mas não acreditem. Se me passar da marmita, passo mesmo. Só sou parva quando eu quero. Não gosto de mentiras. É provavelmente aquilo que mais me incomoda no mundo. Mentiras e falsidade. Não sei ser falsa e tenho dificuldade em ser cínica. Disseram-me que devia aprender a "lamber botas" mas realmente nunca foi um dos meus dons. Gosto de risos fáceis. Gosto de fotografia. Pareço sempre uma palhaça, mas gosto na mesma. Gosto de roupa larga para esconder o corpo. Mas sei que fico bem é com roupa estrelicadinha ao corpo e é isso que uso mais. Sei ser feminina e muito sexy. Adoro saltos altos. O raio da tendinite tem-me feito andar de saltos rasos ultimamente e até já pensei vender a colecção de sapatos que aqui mora. Mas a minha fé naquele ser superior impediu-me de fazê-lo, e hei-de voltar a usá-los. Gostava de saber coser. Mas coser mesmo à seria, para poder fazer a minha roupa. Adorava viajar. Assim, pegar na mochila e ir à aventura. Um dia disseram-me que sou uma pessoa de pessoas. Por mais que eu grite "odeio pessoas", é mentira. Eu gosto delas. De todas. Brancas, pretas, amarelas ou vermelhas. E eu gosto de mim. Acho isso muito importante. Mais importante que tudo o resto.


[to be continued...]


Pintura // Decoração // Moda // Livros  // Sushi


Aquele beijo,
*muah*
Ana

Saturday, March 1, 2014

[cartas ao meu filho] esta coisa de ser mãe...

... é difícil. Eles crescem demasiado depressa e não sabemos se os estamos a educar da forma correta. Eu tenho fé que este meu pirata subnutrido perceba que o que os pais fazem é sempre o que acham mais certo para os filhos. Eu não sou nem melhor nem pior que os outros, mas se é assim que eu acredito, é assim que o vou educar. No outro dia fui buscá-lo à escola sozinha. Olhei para trás, já sentada no carro, e vi-o. Bolas, está tão crescido. Ainda me lembro dele pequenino como se tivesse sido ontem. Ainda é pequenino, mas está tão crescido. Gostava que ficasse assim para sempre.

"Sempre foi fácil aturar-te... há quem diga que pioraste com o tempo. Mas essas pessoas não estavam lá na nossa primeira noite juntos. Tu não querias comer, e preferias chorar. Choravas alto e forte. O que mais barulho fazia naquele quarto de oito mães desesperadas, que só queriam uns minutos de silêncio para poderem descansar. Quando te calavas, um outro bebé qualquer começava a chorar e tu, pumba, juntavas-te a ele. A segunda noite foi igualmente difícil. Já eu duvidava da minha capacidade de ser mãe, quando a enfermeira (da qual não sei o nome nem lhe reconheceria a cara, mas a quem agradeço profundamente) decidiu levar-te com ela para eu descansar. Descansei umas horas, graças à santa enfermeira, e a terceira noite foi fácil. Adormecemos juntos e dormimos 6 horas seguidas. Tive que te acordar para comer, pois já estava com medo que tivesses voltado ao teu jejum. A partir daí as coisas começaram a correr bem entre nós. A enfermeira deve-te ter dado um raspanete. Qualquer coisa do género "já chega de dares cabo da cabeça da mãe, porque ela já está desesperada e a ponto de te atirar pela janela". 

Ainda me dás noites complicadas. Habituei-me a acordar milhares de vezes por noite, para me certificar que estás bem. Outras tantas, porque tu me chamas, seja para pedir xixi, água ou apenas para dizeres que me amas. A minha mãe pergunta-me se não era mais fácil levar-te para a minha cama (como ela fazia comigo). Eu já tentei, mas tu gostas do teu espaço. Então, eu continuo a levantar-me de noite para me certificar que estás tapado ou que não decidiste cair da cama alta que te decidi comprar (e que me atormenta muitas vezes, não vás tu cair dali para baixo). 

Tirando as noites difíceis, e a tua resistência a comida, sempre foste um miúdo muito fácil. Dizem que sou demasiado paciente e até conivente contigo, mas a mãe sou eu e eu é que sei. Gosto de te educar assim. Acho que tenho feito um bom trabalho. Não temos palmadas, nem castigos. Perdoa-me se às vezes levanto o tom de voz. Sabes que não é isso que quero fazer, mas tu, por vezes, consegues tirar-me do sério, e lá se vai a parentalidade positiva pelos ares, e sai um berro mais alto do que devia. Também sabes que quando conto até três, tens mesmo que vir. Não sabes o que acontece depois do três. Nunca quiseste testar. Nem eu sei o que acontece depois do três. És educado. Às vezes esticas a corda. Mas eu percebo. Também vives semana sim, semana não com educações diferentes, e isso deve baralhar-te. Por mais que tentemos ter educações semelhantes, as "crenças" são diferentes. Eu disse ao teu pai para ler a Magda. Ele mandou-me ler o OZ. Lá está, cenas diferentes que nos baralham a cabeça sem sabermos qual é a correcta. O pai castiga, mas a mãe não! O pai deixa fazer tudo, mas a mãe não! O pai deixa deitar tarde, mas a mãe não. E o pai promete prendas se te portares bem, e a mãe não!

Apesar de tudo isso, a má sou sempre eu. Mas aceito esse lugar. Já te expliquei que o meu pai também era mais permissivo, e que a minha mãe era bem mais rígida, mas é por causa deles que eu sou assim, boa mãe. E eu sei que por causa de mim também vais ser bom pai.

No outro dia fomos ao médico. Coisa rara de acontecer, mas lá estávamos os três - eu, tu e o pai. Portaste-te tão bem. Olhei para ti de boxers, sentado na marquesa que era um grande dinossauro, e vi um homenzinho. Não abriste a boca um segundo e o doutor até achou que tinhas perdido a língua. O pai logo a seguir prometeu-te uma prenda por te teres portado tão bem. Eu não disse nada. Quando subimos no elevador para casa perguntaste-me se também tinha uma prenda. Eu disse-te que não. Mas tu querias, porque o pai tinha. Expliquei-te que a tua obrigação é portares-te bem. Que as prendas estão reservadas para os anos e o natal, ou noutros dias que nós acharmos por bem oferecer-te uma prenda. Mas não por te portares bem. Se eu não te castigo quando te portas mal e converso contigo para que percebas o que aconteceu, também não faz sentido dar-te uma prenda quando te portas bem, mas sim conversar e dar-te os parabéns. Acenaste com a cabeça e perguntaste se podias comer uma goma antes de jantar como prémio. Eu disse que sim. És inteligente e sei que percebes o que te digo, mesmo que às vezes comeces aquele choro falso que me irrita e com o qual consegues muitas vezes o que queres. Mas não comigo! Quando te abro os olhos e te pergunto "estás a chorar porquê?" tu páras. Eu vou manter esta minha coisa da parentalidade positiva. Acho que está a correr bem. E acho que eventualmente terei muito sucesso. Estaremos cá os dois para falar sobre isso, mais tarde."





Aquele beijo,
*muah*
Ana

Friday, February 28, 2014

[há dias assim] Papa Medos - parte ii

Se leram este post, sabem do que falo. 

Não sei se foi ou não do Flint estar ao lado dele, mas a verdade é que as noites desta semana foram todas muito calmas, sem que me chamasse um bilião de vezes (só me chamou uma vez por noite, ainda eu estava a pé, e sempre para pedir ou xixi ou água) e sem ranger os dentes ou falar alto a sonhar como fazia quase sempre. 

Não sei se o medo do escuro e dos monstros foi ou não ultrapassado, mas a verdade é que esta semana ele não falou em monstros, e embora continue relutante em entrar em quartos escuros, já não demonstra o pânico que demonstrava.

Vou acreditar que a minha ideia teve um resultado positivo, mesmo sem termos efectuado o dito ritual de colocar um papel dentro da boca do Papa Medos. Talvez a ideia do boneco comer o medo dele tenha resultado. E eu estou feliz por ter comprado o Flint!

Imagem tirado do Facebook Português Oficial

Para quem desconhece, aconselho a visita ao Facebook dos Sorgenfresser, pois existem vários bonecos, cada uma mais original que o outro. Vejam também o video de apresentação! Muito giro!

Aquele beijo,
*muah*
Ana

[o melhor do meu dia] piratinha

Aqui em casa andamos numa de piratas. O R. acha-lhes mesmo piada. É a brincadeira favorita ultimamente - ele gosta do role-play e eu alinho com ele sempre que posso. Então pomos palas nos olhos e pegamos nas espadas, subimos para cima da cama, que é o nosso barco pirata e divertimos-nos a seguir as pistas dos mapas para encontrar-mos os tesouros. Escondi tão bem um dos tesouros, que me esqueci de onde ele está. 
Claro está, que depois duma festa de anos pirata, vem mesmo a calhar ser Carnaval. O R. escolheu a sua máscara, e ai de mim (ou do pai M.) comprarmos um fato sem o rapaz ver. Suponho que já saibam de que se mascarou... 



Não que eu tenha ficado extremamente satisfeita com a escolha, mas há coisas em que ele pode decidir o que quer, e esta era uma delas. Adorei vê-lo feliz com a roupa e todos os acessórios. Decidiu o que levar para a escola e o que devia deixar em casa por haver probabilidade de perder ou estragar. Tem 4 anos, mas garanto-vos que tomou as decisões certas - deixando as moedas do tesouro e outros apetrechos mais pequenos em casa, o que prova que se falarmos e explicarmos as coisas como elas são, no dia em que eles têm que decidir o que fazer, eles saberão decidir o "correcto"!

Aquele beijo,
*muah*
Ana

[o melhor do meu dia] saber perdoar

Confirmas realmente que mudaste depois da gravidez (além do óbvio), quando percebes que és capaz de perdoar e assumir as falhas para que também tu possas ser perdoada. Agora és crescida, adulta, responsável e sensível. És capaz de conversas sobre as coisas. Recebi uma mensagem que me fez chorar. De felicidade, leia-se. Na verdade, não sabia se essa mensagem alguma vez chegaria, e fiquei muito feliz por ter chegado. Obrigada pela mensagem. Foi o melhor do meu dia.


Aquele beijo,
*muah*
Ana

Thursday, February 27, 2014

... tipo, e eu?

Hoje dei-me conta de que já vos falei do meu filho, da minha mãe, do meu pai, do meu irmão, do meu ex e dos meus (ex) amigos. Mas nunca me apresentei convenientemente.

Olá! Eu sou a Ana, a nível profissional e mais sério, e Carina para os amigos e familiares. Tenho 30 anos, mas se olharem para mim vão-me dar muito menos. Vivo num palacete com três quartos e duas casas de banho. Tem quatro varandas e bate-lhe o sol todo o dia. No mês passado descobri-lhe a primeira mancha de humidade e chorei. Foi aqui que investi todo o meu dinheiro e toda a minha força.

Tenho um filho, que vive semana sim, semana não comigo, mas isso vocês já sabem. Foi essa divisão de semanas e estado de espírito que deu origem a este blog. Tenho uma estrutura familiar muito pequena, mas bate aos pontos qualquer outra. Tenho a minha rainha e o meu irmão, de quem já vos falei. A minha avó, duplamente rainha. E o meu filho. Tenho um namorado. O melhor do mundo. Dizem-me que não devo falar bem dele, porque todas o vão querer, mas ele é mesmo o melhor. O R. grande trata-me com muito mimo, ajuda-me em tudo o que preciso. É o meu melhor amigo, o meu namorado, meu cúmplice e meu amante. Cantamos a mesma canção, e se isso não acontecesse, esta relação não existiria. Chama-me louca, mas eu tenho cá para mim que o louco é ele. Senão, porque razão ainda estaria aqui comigo? Tenho tios e tias, primos e primas, mas é nestes cinco seres que encontro tudo o que preciso. Tenho uma cunhada, namorada do meu irmão, que é provavelmente a miuda mais fofa que já conheci. Juntar-me ao R. grande fez com que ganhasse uma família numerosa. Eles são mesmo muitos, e eu adoro isso. Não entendo quem fala mal das sogras. A minha tem um coração maior que o Mundo. E tenho mais uma cunhada, que conheço à tanto tempo e no entanto, nunca a tinha conhecido. Depois temos a família que nós escolhemos - os amigos. Tenho duas irmãs com quem não partilho qualquer laço de sangue, amigas de sempre e para sempre. Com elas ganhei cunhados e um sobrinho. Afinal, tenho uma família gigante e nunca tinha pensado nisso.

Tenho formação superior. Dois cursos que ficaram a meio. Não penso acabá-los para grande desgosto da minha avó. Falta-me pouco em ambos, mas de que me vão servir se não penso vir a trabalhar na área? Acredito que devemos fazer o que gostamos. Fazer o que não gostamos mata-nos um bocadinho todos os dias, e eu não quero morrer nova. Trabalho num call center. Não tenho vergonha nenhuma. Prefiro isso a trabalhar em informática (os meus dois cursos). Para quem pensa que é fácil trabalhar num call center desengane-se. É stressante e dá-nos cabo da marmita. Tanto, que já não existem pessoas sãs naquele centro de atendimento. Conheci pessoas fantásticas. Fiz amigos para a vida. Também conheci pessoas que preferia nunca ter conhecido, mas agora que já está, olha, paciência! Não estou a trabalhar neste momento. Tenho um problema. Perco a voz constantemente. Mas a sério mesmo, durante semanas ou meses. Tenho saudades das pessoas (algumas, o "gang" essencialmente) mas tenho sempre medo de voltar. Ficar sem voz é complicado!  

[to be continued...]


Eu, algures durante o ano passado, num dos muitos passeios só para não estar em casa.

Bolas, podia ficar aqui horas a falar de mim. Parece narcisista, mas sempre me preocupei mais com os outros. Costumo ouvir mais do que falar. Raramente desabafo com alguém, seja o que for. Hoje apeteceu-me apresentar-me. Se gostaste, então continua a ler-me! Há um botão qualquer no blog que serve para me seguires. Se não gostaste, desculpa. Não costumo escrever tanto, mas se chegaste até aqui, garanto-te que aguentas os outros posts. 

Como tenho mesmo muito para contar sobre mim, vou continuar esta série. Ficam com a primeira parte hoje... amanhã quem sabe conto-vos o resto! Este post devia ter iniciado o blog, e se calhar vem tarde demais. Mas nunca é tarde para conhecer-mos alguém novo, pois não?


Aquele beijo,
*muah*
Ana

Wednesday, February 26, 2014

[há dias assim] parabéns, meu irmão

Sei que provavelmente este post nunca será lido pelo meu irmão. Talvez até seja melhor assim. Não é que nos entendamos mal, mas não nos damos propriamente bem. Já nos demos pior, é verdade. Também nunca nos demos tão bem como agora. Deve ser da idade.

Faz 22 anos que vivi um dos dias mais felizes da minha vida. Se eu quisesse numerar acontecimentos ficaria provavelmente em segundo lugar no ranking, porque nada se compara ao nascimento de um filho. Eu queria mesmo muito um irmão. A sério! Era só o que eu mais queria, e acho que já tinha perdido a esperança. Tinha 7 anos quando os meus pais me contaram que, finalmente, eu ia ter o que eu mais queria. Eu não me importava de ter que mudar para um quarto mais pequeno. Não queria saber se ia deixar de poder dormir na cama dos pais. Nunca me importei em ter menos coisas porque agora era tudo a dividir por dois. Nad disso me preocupava.

O meu irmão nasceu, e (a minha mãe vai-me dar um raspanete, outra vez) por mais estúpido que seja, só me lembro da minha vida a partir dos 8 anos. Era Carnaval e eu mascarei-me de palhaço. A minha mãe estava na maternidade, e o Diogo nasceu ao fim do dia, numa 5ª feira. Não o pude ver nesse dia, e o meu pai foi feito louco para a maternidade e bateu com o carro. Pediu-me para não contar a ninguém como tinha sido! Fiquei em casa dos meus avós, e na 6ª feira tive que ir para a escola vestida de palhaço, mas o que eu queria era ir ver o meu irmão. Talvez por isso, odeie tanto o Carnaval. Lembro-me de ir à maternidade vestida com a minha máscara estúpida de palhaça, e de ter sido assim que o meu irmão me viu pela primeira vez. E peguei nele e fiquei mesmo feliz! Lembro-me de tudo, claro como água, como se tivesse sido ontem. A partir daí, ajudei a minha mãe a tomar conta dele, mudei-lhe fraldas e dei biberãos. Dava-lhe banho e tratava-o como um filho - e já aí, o instinto maternal...

Não me lembro da ultima vez que o meu irmão me deu um beijo. Tem o hábito estúpido e ridiculo de me dar a cabeça ou a testa. E pronto, eu dou um beijo e não recebo nada em troca. Odeia demonstrações de afecto, em público ou privado, ele não gosta mesmo. Não gosta de mensagens fofinhas (ou textos longos como este que escrevo neste momento). Só me liga se precisar de mim. E eu digo-lhe "desenmerda-te" mas acabo sempre por lhe fazer tudo. É filhinho da mamã e da maninha. Fazemos-lhe mesmo tudo! Não é que ele não saiba fazer, mas ele é daqueles que acha que "se podem fazer por mim, porque me hei-de cansar?".   O meu irmão é o meu orgulho. Acho que nunca lhe disse isto. Disse-lhe uma vez para ter juizo e aprender com os meus erros. Ele levou isso à letra, e hoje é um homenzinho que já me conduz, quase a acabar um curso nada fácil, responsável com tudo o que diz respeito a escola e trabalho, não fuma, pouco bebe (porque não aguenta muito LOL). Não dá nem nunca nos deu problemas. Não partilha aquilo que sente. Passa-se da cabeça com frequência (embora esteja muito mais calmo). É provavelmente a pessoa mais insensível que conheço. Mas é também a pessoa que mais sentida fica se lhe fazem ou dizem alguma coisa que não gosta. Acha que devemos falar cara a cara e não escrever ou expor em público o que sentimos. Não é capaz de perdoar quem magoa os seus (pelo menos não perdoa que me magoou a mim). Não diz que gosta de mim. Mas é o melhor tio que o Mundo poderia dar ao meu filho. O meu irmão é forte e determinado. É especial. Também a ele, a vida foi madrasta e levou o pai demasiado cedo. É duro perder o nosso melhor amigo. É igual ao pai. Igualzinho! É a melhor prenda que os meus pais me deram.

Gostava que esta pudesse ser a minha prenda para ti, mas já sabes o que a mummy pensa disso...


Parabéns, meu irmão! Contínua a deixar-me orgulhosa! Amo-te e amar-te-ei sempre. E vou expô-lo publicamente sempre que me apetecer. Embora fraquinha e mais sensível, ainda sou a mais velha!


Aquele beijo,
*muah*
Ana