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Não faz muito tempo que comecei a procurar formas de ajudar o R. na luta contra o seu medo do escuro. Sempre foi um miúdo destemido nesta matéria, mas de repente, de um dia pro outro, como acontece sempre com ele, decidiu que tinha medo do escuro e que lá, no escuro, moravam monstros.
Tentei falar com ele e explicar-lhe que os monstros não existem, mas todos sabemos que isso é mentira e não consegui convence-lo disso mais do que uma noite. Depois, decidi dizer-lhe que "mesmo que existissem" nunca entrariam cá em casa, porque tinham medo de mim. Que coisa mais parva que eu fui inventar. Até um miúdo de 4 anos consegue perceber que nenhum monstro teria medo de 1,50m de gente como eu. Aguentou-se mais uma noite, mas na noite seguinte voltou com a mesma história. Então, consegui convencê-lo de que tinha umas fadinhas que o acompanhavam sempre que ele ia para o escuro. Apontei para dois pontinhos de luz vermelhos no quarto. Dei nomes às fadas, e ele adormeceu feliz, pois as fadas iam tomar conta dele. Não percebo porque é que os monstros não têm medo de mim, mas têm medo das fadas, mas isso são outras contas... Durou a semana toda, e nunca mais houve medo do escuro nem pesadelos.
Depois, bem, depois veio a semana não e o R. foi para casa do pai com a conversa das fadas. O M. não percebeu nada e o R só deve ter ficado mais confuso. Quando voltou, na semana sim, rapidamente me pôs entre a espada e a parede, com o seu ar de adulto pequenino:
R: Mãe, acho que as fadas não são verdadeiras!
M: Então, porquê?
R: Porque disseste que elas iam comigo, e não foram para casa do pai.
M: Ai não? Se calhar não as viste!
R: Oh mãe, eu acho que não são fadas! São bruxas boas! Por isso é que não saem do mesmo sitio.
M: Pois, se calhar! Nunca tinha pensado nisso, filho!
E assim ficamos, mas acho que já não confia muito nas fadas, isto é, bruxas, isto é, pontinhos vermelhos de luz.
Foi então que descobri os "papa medos" e aproveitando que ele faz anos, corri para a FNAC mais próxima à procura de um monstrinho que devora todos os nossos receios. Não foi fácil encontrar o bicho! Deve haver muita gente amedrontada por aí, mas consegui encomendá-lo online e agora vou esperar que acabe com este e todos os medos que surjam.
Os papa medos (originalmente chamados Sorgenfresser) são uns bonecos com uma bolsa onde colocamos os nossos medos. Por exemplo o medo do escuro. O boneco devora o medo e as crianças (e quem sabe os adultos) acreditam que realmente o medo foi "comido" e vencem esse medo.
Apresento-vos o Flint. O novo residente cá em casa! Vamos ver se vai ser um comilão.
Aquele beijo,
Faria tanto sentido se tivesse existido à algum tempo atrás, noutra altura da minha vida... Não me sai da cabeça e adoro demais. David Antunes & Vanessa Silva - Não te quero mais.
"Tu não eras assim // quando te conheci // sorrias para mim // e falavas de ti"
Aquele beijo,
Podia ser um post sobre música, mas não é. É um post que vem cá de dentro, cheio de amor e emoção, com lágrimas e sorrisos à mistura. É um post que fala de amor incondicional de uma mãe e de um filho. É um post para me lembrar de nunca me esquecer aquilo que me fazes sentir hoje com 4 anos.
"Hoje, que fazes 4 anos, quero dizer o quanto te amo mesmo antes de teres nascido, antes ter olhado para aquele teste de gravidez. No momento em que vi aqueles dois traços, já sabia que te amava. Tinha a certeza absoluta de que já estavas a crescer dentro de mim, e que jamais alguém me faria sentir aquilo que sentia.
Sabes, não foste planeado mas foste fruto de um amor a sério, daqueles que começam muito cedo, quando as pessoas ainda são muito jovens, e que duram muitos anos, mas que infelizmente um dia terminam. Isso significa que a mãe e o pai deixaram de se amar, mas nunca deixámos de te amar. A verdade é que provavelmente estamos a fazer um trabalho muito melhor a educar-te, do que faríamos se estivéssemos juntos.
Depois de 9 meses a ter-te só para mim, tive que te partilhar com o mundo. Ainda não querias sair, e eu percebo-te. Estávamos tão bem só nós dois, porque haverias de querer sair? Partilhávamos tudo nessa altura e nunca nos separávamos. Assim que nasceste, o enfermeiro disse-me que tinhas o nariz como o meu. Depois eu vi-te e confirmei que era verdade. Do teu pai herdaste o cabelo e o espírito irrequieto. O gosto pelos jogos e a aversão a legumes. Da mãe, além do nariz, herdaste o gosto pela pintura e pela leitura. Herdaste também a forma como reviras os olhos quando a conversa não te interessa, ou os tiques nervosos quando algo não está como tu queres. Herdaste o choro fácil e até a forma como fazes beicinho. Herdaste as birras de sono ou fome, e o gosto pelo chocolate e pela música. Por mais que digam que te assemelhas a ele, não existe no mundo ser mais parecido comigo que tu. Tens tanto de mim!
Desde esse dia que quatro anos passaram e tu cresceste tanto. Já não és aquele bebé pequenino e indefeso, que eu carregava no colo encostado ao meu peito para acalmar quando chorava. Perguntaste-me no outro dia se ainda eras o meu bebé e eu respondi-te que sim. Ainda és o meu bebé. Serás sempre. Mesmo quando tiveres 18 anos e decidires tirar a carta, ou quando tiveres 25 e fores pai. Serás o meu bebé aos 32 quando mudares de emprego e serás o meu bebé quando for eu a usar fralda já bem velhinha.
Gostas de livros e música. Gostas de pintar. Gostas de me ajudar na cozinha. Gostas de sair para ir ao parque e gostas de ficar em casa o dia todo. Gostas de dar beijos e abraços. Gostas de segredos. Gostas de douradinhos e puré. Gostas de jogos na consola e gostas de brincar. Gostas dos Heróis de Higglytown e dos Little Einsteins. Gostas de me tirar fotografias. Gostas que te leve ao colo até à cama e te cante várias canções. A tua última pancada são os piratas e as framboesas. Não gostas de legumes. Não gostas de esperar. Não gostas de lojas de roupa. Não gostas do escuro nem de monstros. Não gostas do benfica. Não gostas de estar sozinho. Não gostas de laranjas nem tomates. Mas isso é aqui, nas semanas sim. Sinto que adaptas os gostos consoante as semanas. É normal, penso eu, porque a vida é diferente, os gostos e as pessoas à tua volta. Mas será normal? Só tens 4 anos!
Tão pequenino ainda, já passaste tantas fases, mas sempre mantiveste esse sorriso que me aquece o coração. Nada me faz mais feliz que ver-te sorrir. E tu sorris muito, sinal de que és feliz, certo? És feliz, não és, meu filho? Isso é o mais importante, não é? (...)"
Aquele beijo,
Gostava de ser como tu. Não conheço ninguém tão forte e corajoso. Tão vivido e sofrido. Sempre preparada para o próximo abanão. Tu sabes que a vida é difícil. Muitas vezes foi madrasta para ti e para mim. Para nós. Leva-nos quem gostamos. Leva-nos aquilo em que acreditamos. Troca-nos as voltas e às tantas estamos onde não queríamos estar. Onde não devíamos estar.
Às vezes acordo sem forças para enfrentar mais uma batalha, e depois penso em ti e nas batalhas que já travaste. Levanto-me e relembro tudo o que aprendi contigo enquanto deixo que a água a ferver me bata nas costas. Nunca me disseste para ir à guerra sozinha. Muito pelo contrário, sempre disseste que lutarias comigo. Mas eu vi-te sempre à frente do batalhão, a dar o corpo às balas, sem nunca te queixares ou pedires para ser substituída por um bocadinho. Já lutaste demais. Ainda lutas.
Não te preocupes, mãe. Eu estou preparada. Não importa o quanto dói, eu levanto-me e tomo o duche, sempre com água a ferver, e vou à luta mais um dia. Sei que sempre que quiser o teu colinho, posso correr para ti, e é isso que importa. O saber que estás lá. Não o faço (quase) nunca porque temo que sofras (ainda mais) outra vez, e não quero voltar a abanar o teu mundo.
És a minha rainha, e eu a tua princesa. Sempre me trataste assim. Talvez por isso o meu filho também me ache a princesa dele,e não me deixe tornar-me rainha. Talvez me ache demasiado nova para ser rainha.
Amanhã faz 4 anos que o R. nasceu. Sei que estou de parabéns pelo filho fantástico que tenho. Parabéns a ti, minha rainha, que também estás de parabéns por me teres ensinado a ser tudo o que sou. Além de lutadora foste mãe todos os dias, todas as horas. Quero ser rainha como tu. E talvez não te tenha dito vezes suficientes que te amo. Mas sei que sabes que sim. Hoje, repito-o todos os dias (dias sim, leia-se) ao meu filho, para que um dia ele deixe de me achar princesa e passe a chamar-me rainha!
Perdi o meu pai. Já foi à algum tempo. Mais precisamente à 3 anos e meio. Doeu muito. Doeu tanto e ainda dói. Acredito que irá sempre doer. O tempo não cura nada, não torna nada mais fácil. Acho que nós é que aprendemos a viver com a dor.
Uma amiga muito querida do meu coração perdeu o pai recentemente. Embora não a conheça à muitos anos, conheço-a ao tempo suficiente para partilhar a dor dela, porque a entendo! Porque sei o que é e o que sentimos. As palavras de carinho e conforto não significam nada e aquilo que queríamos era que todos se calassem e que o tempo andasse para trás. Queremos que seja um pesadelo. Queremos acordar e que tudo volte ao tempo em que estava tudo bem, ao tempo em que eles não estavam doentes, em que riam connosco.
Não consigo dizer-lhe nada que a console. Apenas que estou aqui quando lhe apetecer falar. Lembrei-me deste texto que tinha escrito no inicio do ano, deste ano. Minha querida, o teu pai não morreu. Ele mudou-se para um lugar melhor e mais bonito, onde vai poder olhar para ti, para as tuas irmãs e para a tua filha. Vai olhar todos os dias e vai sorrir. Pelo menos é nisso que eu quero acreditar.
"Mais um ano que passou. Nem acredito que partiste à tanto tempo, pai. Ainda te sinto aqui. Ainda estás aqui. Não me lamento da tua perda quando estou com os outros, mas só eu sei como a revolta ainda me toca tantas vezes. Não percebo porque tive de ficar sem ti.
(...)
Discutíamos tantas vezes. Hoje percebo que era por acreditares mais em mim do que eu própria. Hoje tenho outra força que te deixaria orgulhoso. Tenho também ideias que te fariam arrancar os cabelos que ainda te restavam. Eras a melhor pessoa que alguma vez conheci. Um coração do tamanho do mundo, que vivia com medo. Não era medo de morrer. Era medo de não nos conseguires dar tudo.
A mim deste-me tudo, pai. Não te poderia nunca pedir mais porque sei que tiravas de ti para nos dar. Vivias cheio de preocupações e não aproveitaste os teus últimos momentos. Tenho pena que tenha sido assim. A vida é tão injusta. Ainda tinhas tanto para fazer e para dar ao Mundo.
Mas estarás sempre vivo em nós. E eu farei grandes coisas, e tu serás a minha estrelinha. Amo-te e amar-te-ei sempre. Tu não morreste. Mudaste-te só para um lugar melhor, mais bonito, onde poderás sorrir ao ver-nos todos os dias."
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| Imagem editada por mim |
Já sabem, o texto em azul claro é parte de algo que anda à muito para ser terminado. Textos soltos que se encontram num todo.
Os olhos encheram-se de lágrimas assim que ele entrou no elevador. Não gosto que me veja chorar. Era o inicio de mais uma semana não. Ao contrário da maioria das pessoas, e como tudo na minha vida, só anseio as sextas feiras, semana sim semana não. É o dia da "troca". O dia em que ele vai ou ele volta.
Contínuo a chorar sempre que ele tem que ir. Não é justo. Contínua a não ser justo nesta minha cabeça dura. Se foi o M. que quis acabar tudo e sair daquilo a que chamávamos relação, se foi ele que refez a vida num ápice sem qualquer dor, se foi ele que virou as costas ao que tinha sido construído durante 11 anos, porque é que eu é que tenho que sofrer as consequências? Não é justo ele desistir e ainda sair vencedor.
Já o perdoei de tudo o que podia perdoar. Só não lhe perdoo as semanas não!
"(...) Mas eu perdoo-te. Há muito que já te perdoei. Perdoo-te as noites acordadas por tua causa. Perdoo-te por me teres largado de um dia para o outro, e me teres trocado por ela. Perdoo-te por me teres usado e deitado fora, como se tratasse de um par de calças que passou de moda. Perdoo-te por me teres convencido que contigo seria diferente e que podia confiar em ti. Perdoo-te por me fazeres acreditar no *para sempre*, quando o *para sempre* não existe. Perdoo-te porque quero paz, e não faz sentido viver com rancor eternamente. Mas perdoo-te acima de tudo porque me fizeste crescer, e mesmo sem saberes ou sem estares comigo, me mostraste aquilo que quero realmente para mim. (...)"
Já sabem, o texto em azul claro é parte de algo que anda à muito para ser terminado. Textos soltos que se encontram num todo.
O blog encontra-se em manutenção. Estou a mudar-lhe o aspecto e por isso nem tudo está no sitio certo, nem com as cores certas. Perdoem-me aqueles que me lêem ou aquela única pessoa que lê, mas ainda estou a trabalhar nisto! Obrigada pela paciência.
Aquele beijo,
*muah*
Ana