Saturday, April 5, 2014

[há dias assim] o acordo do poder paternal

Quem leu este post, saberá do que estou a falar. Nesse dia, tomei a decisão de aceitar o estúpido do acordo de regulação de poder paternal. Aceitei a igualdade parental. A assistente social fez um excelente trabalho a confundir aquilo que eu penso e acredito. Saí de lá com a sensação de que estava a ser egoísta. Com a sensação de que o melhor para o R. era continuar a viver semana sim, semana não comigo. Com a sensação de que lhe estaria a provocar instabilidade em vez de estabilidade. Assinei um acordo que vai manter tudo exactamente igual ao que tem sido vivido nos últimos 3 anos, e no qual eu não acredito desde o primeiro minuto. Assinei-o porque sabia que seria isso que a assistente social iria escrever no relatório dela. Assinei-o porque ela fez-me pensar que o meu problema com isto tudo eram as minhas saudades e não o bem estar do meu filho.

Hoje, o acordo deverá estar assinado por mim, pelo M. e pelas duas advogadas que não tiveram papel absolutamente nenhum neste teatro. O acordo deverá estar numa qualquer pilha de papel, provavelmente acordos e desacordos, num qualquer edifício à espera da homologação de um qualquer juiz que, tal como as advogadas, não teve qualquer papel nesta história. Hoje, eu deixei de estar confusa e voltei à fase inicial, em que penso que esta vida semanal não é de todo boa para qualquer um de nós. No entanto, terei que viver com o peso da minha decisão para o resto da vida.

O que a assistente social defendeu foi que o R. tinha tudo! Tinha uma vida fantástica, uns pais fantásticos e estes pais fantásticos tinham o dom da comunicação, coisa rara em separações. Se estes pais têm o dom da comunicação, saberão resolver todas as divergências conversando. Saberão dizer um ao outro aquilo que não concordam e chegar a um acordo sobre o que é ou não favorável para o R. Estes pais fantásticos saberão acatar o que o outro diz, se acreditarem que realmente o outro tem razão. O problema é que os pais fantásticos são óptimos a comunicar, mas do comunicar ao fazer está um abismo que tem que ser atravessado, passo a passo, por uma ponte de cordas estreita que abana a cada conversa, e ao mínimo deslize pode provocar a queda nesse tal abismo. Entre o comunicar e o fazer, existe ainda um tentar, palavra que já vos disse que não gosto, mas que, pelo menos, implica uma intenção. Por vezes sinto que nem intenção de fazer o que lhe peço o M. tem. Diz-me que sim, como quem fala com os malucos, mas as coisas não passam do mesmo.

O que a assistente social pensa é que essas coisas das quais eu confesso que são mesquinhas, mas no fundo tão importantes, podem ser resolvidas através da comunicação. O que ela não percebeu foi que eu já tentei tantas vezes comunicar, e ouvi tantas vez um "sim, vou tentar", "sim, vou fazer", mas nunca chegou mesmo a fazê-lo.

Por exemplo, a questão da sopa. Desde muito pequeno que o R. não come sopa em casa do pai. Desde muito cedo que digo ao M.que é importante. Desculpem-me, mas não é preciso ter um mestrado para saber que os legumes e as hortaliças fazem bem a uma criança em crescimento. É senso comum. Uma coisa é nós não gostarmos de comer legumes e hortaliças. Aí não somos capazes de dar o exemplo. Mas se sabemos que faz bem ao crescimento da criança, damos-lhe sopa! Até comemos a sopa para servir de exemplo. A sopa faz bem! Então porque raio é que o meu filho só come sopa ao jantar semana sim, semana não? Porque o pai não gosta de sopa e defende-se dizendo que é mais importante variar entre a carne e o peixe. Bolas M. achas mesmo que comer sopa não é importante? Custa assim tanto por meia dúzia de legumes dentro duma panela e depois passá-los? Ou o problema será a "birra" que vais ouvir do teu filho porque lhe criaste o hábito de não comer sopa? Eu sei que tu me lês M. Tu disseste-me! Já falamos tantas vezes sobre isto. Custa assim tanto? Não te esqueças nunca que os nossos filhos são o nosso espelho! Então temos que dar o exemplo.



São estas pequenas coisas, mesmo pequenas, que me fazem pensar que a escolha de assinar o acordo não foi certa. Por outro lado, encho-me de teorias que sustentem a igualdade parental para me defender desta decisão. Não sei o que está certo. Não sei se era egoísmo ou não quere-lo sempre aqui. Sei que o M. é o pai, e que ter um pai presente é importante. Mas ter uma mãe sempre por perto também é. Espero que o meu filho acredite que sempre tentei fazer aquilo que achava melhor para ele. Acho até possível que ele me venha a agradecer por ter sempre permitido esta vivência com o pai M. mas provavelmente vai achar que não lutei o suficiente para ficar com ele só para mim. Se assim for, espero que me perdoe. Deixei de lutar por achar que estava a fazer o certo. E agora já não sei se o certo está certo.

Aquele beijo,
*muah*
Ana